domingo, 18 de fevereiro de 2018

Capítulo 15

so-ror-i-cide (substantivo). Ação de assassinar à irmã da gente mesmo. Eu temia um fratricídio (sororicide). Sinceramente. Do dicionário pessoal de Demetria Trent.

Penélope sorriu despreocupadamente, e a grandes passos entrou no vestíbulo.

—É tão agradável ver-te, Joe. Estou segura de que está surpreso.

—Sim, sim, pode estar segura.

—Teria vindo antes.

— Antes?

—Mas tive um leve acidente de carruagem e se não fosse pela querida senhorita Dent aqui presente. Joseph voltou a olhar para a porta e viu Demetria. Demetria? —Estaria completamente desamparada. É obvio, não tinha nem ideia de que estávamos tão perto de Seacrest Manor, e como estava dizendo, se não tivesse sido pela amável senhorita Dent. Ele se voltou para olhar a Demetria, que estava sacudindo freneticamente a cabeça para ele.

—Senhorita Dent?

—Quem sabe o tempo que teria permanecido sentada sobre minha bagagem a um lado da estrada, a uns poucos minutos de meu lugar de destino? Penélope parou para respirar e sorriu com prazer. —Não é para morrer de risada essa ironia?

—Isso não é o único — murmurou Joseph. Penélope ficou nas pontas dos pés e o beijou na face.

—O mesmo de sempre, irmão, sem senso de humor.

—Tenho um perfeito senso de humor — disse, um pouco à defensiva. — É só que ser surpreendido (totalmente surpreendido poderia acrescentar) por um hóspede inesperado. E você trouxe até aqui à senhorita... diabos... como a chamaste?

—Dent — contribuiu Demetria serviçalmente — senhorita Dent.

—Ah, e fomos apresentados? Sua irmã lançou um olhar de desgosto em sua direção, que não lhe surpreendeu o mínimo. Supunha-se que um cavalheiro não esquecia a uma dama e Penélope gozava de um bom repertório de boas maneiras.

—Não o recorda? — disse em voz muito alta, — foi no baile do outono passado do condado. A senhorita Dent me falou dele. O baile do condado? Que tipo de contos esteve contando Demetria referente a ele?

—É obvio — disse com voz suave. — Não recordo quem nos apresentou, mas bem, foi seu primo?

—Não — replicou Demetria, com uma voz tão doce que bem poderia ter estado empapada de mel. — Foi minha tia avó, a senhora Mumblethorpe, a recorda?

—Ah, sim! — disse efusivamente, lhe fazendo indicações para que entrasse no vestíbulo. — A excelente senhora Mumblethorpe como poderia esquecê-la? É uma dama peculiar. A última vez que jantamos juntos ela mostrou sua nova habilidade de cantar ao modo tirolês. Demetria tropeçou ao andar.

 —Sim — disse ela entre dentes, apoiando seu braço contra o marco da porta para evitar a queda.

— Teve uma época estupenda quando viajou a Suíça.

—Mmmmm, sim, de fato, ela disse quando acabou sua demonstração; acredito que o condado por completo se inteirou de quanto desfrutara ela em suas viagens. Penélope escutava o intercâmbio com interesse.

—Terá que me apresentar a sua tia, senhorita Dent, parece muito interessante, eu gostaria tanto de conhecê-la enquanto estou em Bournemouth.

—Quanto tempo pensa ficar exatamente? — interrompeu Joseph.

—Temo que não possa lhe apresentar a tia Hortense — disse Demetria a Penélope. — Desfrutou tanto com suas viagens a Suíça que decidiu embarcar em outra viagem.

—Aonde? — perguntou Penélope.

—Sim, aonde? — repetiu Joseph, deleitando-se do momentâneo olhar de pânico no rosto de Demetria enquanto pensava no país adequado.

—Islândia— disse abruptamente.

—Islândia? — disse Penélope— que estranho. Não conheço ninguém que esteve antes na Islândia. Demetria sorriu um pouco e explicou.

—Ela sempre teve uma grande fascinação pelas ilhas.

—O que explicaria — disse Joseph com uma perfeita voz seca.

— Sua recente excursão a Suíça. Demetria se voltou para ele e disse a Penélope. —Deveríamos enviar a alguém para que vá a procurar seus pertences, senhorita.

—Sim, sim — murmurou Penélope — em um momento, mas primeiro, Joe, esqueci de responder a essa pergunta tua tão grosseira. Direi-te que prevejo permanecer aqui aproximadamente uma semana, possivelmente algo mais, sempre que for de seu agrado, é obvio. Joseph lhe deu uma olhada divertida e de descrédito.

—E quando me concedeste decidir seus atos?

—Nenhuma vez — respondeu Penélope com um encolhimento de ombros despreocupado. —Mas devo ser educada e dissimular, não? Demetria via como irmão e irmã discutiam, um amontoado de melancólica inveja se formou em sua garganta. Joseph estava claramente irritado pela chegada sem avisar de sua irmã, mas estava claro que a amava imensamente. É obvio que Demetria não conheceu jamais o companheirismo afetuoso dos irmãos, nunca o viu antes desse dia. Seu coração lhe doía pelo desejo enquanto escutava aos dois. Ela desejava que alguém lhe tirasse brincadeiras, desejava que alguém pegasse sua mão quando tivesse medo ou se sentisse insegura. Mas mais que tudo, desejava que alguém a amasse. Demetria aguentou a respiração ao dar-se conta que estava perigosamente perto de chorar.

—Preciso ir — disse bruscamente, encaminhando-se diretamente para a porta. Escapar era a primeira coisa que tinha em mente. Quão último desejava era encontrar-se soluçando na porta principal de Seacrest Manor, justo diante de Joseph e Penélope.

—Mas não tomaste chá! — protestou Penélope.

—Em realidade não tenho muita sede. Eu, eu, eu devo ir para casa. Estão me aguardando.

—Sim, estou seguro disso— disse Joseph com voz lenta e pesada. Demetria se deteve sobre os degraus da fachada, perguntando-se a qual lugar sobre a terra partiria. 

— Não quero que ninguém se preocupe comigo.

—Não, estou seguro disso — murmurou Joseph.

—Joe, querido — disse Penélope. — Insisto em que acompanhe à senhorita Dent a sua casa.

—Uma ideia estupenda — assentiu ele. Demetria assentiu com a cabeça em sinal de gratidão, ela não sabia muito bem como encarar a situação agora, mas a alternativa era vagar pelo campo sem nenhum lugar aonde ir.

—Sim, eu o agradeceria.

—Excelente. Disse que não estava longe, não? — seus lábios se curvaram tão brandamente como nunca fizeram, e Demetria desejou que lhe dissesse se seu sorriso era simples ironia ou suprema irritação.

—Não, não está longe absolutamente.

—Então proponho que vamos passeando.

—Sim, provavelmente isso seria o mais conveniente.

—Espera aqui, então — interrompeu Penélope. — Sinto não poder te acompanhar a sua casa, mas estou muito cansada devido à viagem, seria maravilhoso me reunir contigo em outra ocasião, senhorita Dent. Oh! Mas não sei seu primeiro nome.

—Me chame Demetria. Joseph lhe lançou um olhar de soslaio, um pouco surpreso e desconcertado por ela não ter usado um falso.

—Se for Demetria — respondeu Penélope. — Então eu sou Penélope — agarrou suas mãos e as oprimiu carinhosamente. — Tenho a sensação de que vamos ser muito amigas. Demetria não estava segura, mas acreditou ouvir Joseph murmurar — que Deus me ajude — entre dentes, e então ambos sorriram a Penélope e saíram da casa.

—Onde vamos? — sussurrou Demetria.

—A merda com isso — respondeu sibilando, deu uma olhada por cima de seu ombro para assegurar-se de que estavam fora do alcance do ouvido da casa. Mesmo que soubesse que fechara a porta principal atrás dele. —Quer me dizer que diabos está acontecendo aqui?

—Não foi por minha culpa — disse ela com rapidez, lhe seguindo enquanto se afastava da casa.

—Porque eu me pergunto. Tenho que me preocupar aceitando esta situação?

—Joe! — exclamou ela apertando com força seu braço e lhe empurrando furiosamente para que parasse. — Que acredita? Que eu enviei a sua irmã uma nota lhe dizendo que te fizesse uma visita? Não tinha nem ideia de quem era. Nunca soube que tinha uma irmã, e ela não me teria visto se eu não tivesse pisado em um galho seco. Joseph suspirou, começando a dar-se conta do que aconteceu. Foi um grande percalço; um grande, tremendo, enormemente inconveniente e chato percalço. Sua vida parecia uma confusão nestes dias.

—Que vou fazer contigo?

—Não tenho nem ideia. Certamente, não posso permanecer na casa enquanto sua irmã esteja de visita. Você mesmo me disse que sua família não sabia nada de seu trabalho no Ministério de defesa. Presumo que isso inclui Penélope? — Ante um brusco assentimento de Joseph, ela acrescentou: —Se ela descobrir que estive vivendo em Seacrest Manor, sem dúvida descobrirá suas atividades clandestinas. Joseph amaldiçoou baixo. —Não estou de acordo com que oculte suas atividades a sua família — disse Demetria. — Mas respeito seus desejos. Penélope é uma dama encantadora, não desejaria preocupá-la por ti, isso a alteraria, e isso alteraria a ti. Joseph a olhou fixamente, incapaz de falar. De todas as razões pelas quais Demetria não deveria deixar que sua irmã soubesse que permanecera em Seacrest Manor, ela escolheu quão única não tinha nenhum interesse; poderia dizer que estava preocupada com sua reputação, poderia dizer que temia que Penélope a voltasse a levar com o Oliver, mas não, ela não estava preocupada por isso, estava preocupada se por acaso sua forma de atuar o machucava. Ele tragou saliva, sentindo-se repentinamente torpe ante ela; Demetria o olhava no rosto, evidentemente esperando uma resposta, e ele não tinha nem ideia do que dizer. Por fim, depois que ela o atingisse com uma pergunta. —Joe? Conseguiu responder.

—Isso é muito considerado por sua parte, Demetria. Ela piscou assombrada.

—Oh!

—Oh? — imitou-a puxando seu queixo ligeiramente para ela de maneira interrogante.

—OH. OH... OH. — sorriu-lhe fracamente. — Imagino que acreditava que fosse brigar comigo. mais tarde.

—Eu também acreditei que o faria — disse tão surpreso como ela.

—Oh — reteve-se e disse. — Sinto muito.

—Ohs à parte, vamos ter que resolver o que fazemos contigo.

—Não se supõe que você tem algum lugar aonde guardar a caça por aqui perto? Ele negou com a cabeça.

—Não há um lugar na região aonde possa te esconder, suponho que poderia te enviar em uma carruagem a Londres.

—Não! — respondeu Demetria. Fez caretas, um pouco envergonhada pela energia de sua resposta. — Agora mesmo não posso ir a Londres.

—Por que não? Ela franziu o cenho. Essa era uma boa pergunta, mas não ia dizer que sentiria falta dele. Finalmente disse:

—Sua irmã espera ver-me, estou segura de que me convidará.

—Uma manobra certamente difícil, considerando que você não tem casa aonde ela possa enviar um convite.

—Sim, mas ela não sabe. Naturalmente perguntará por meu endereço, e então o que lhe dirá?

—Sempre poderia dizer que foste a Londres. Em geral, a verdade é sempre a melhor opção.

—Não seria maravilhoso? — disse ela com um sarcasmo mais que evidente em sua voz. — Com minha sorte, ela retornará a Londres e me buscará ali. Joseph deixou sair um suspiro irritado.

—Sim, minha irmã é suficientemente obstinada para fazer precisamente isso.

—Suponho que isso vem de família. Ele só riu.

—É isso, meu amor, mas os Ravenscrofts não chegam à sola dos sapatos dos Trents quando se trata de ser obstinado. Demetria grunhiu, mas não retrucou porque sabia que era certo. Por fim, totalmente irritada pelo sorriso presumido dele, ela disse:

—Podemos discutir tudo o que queiramos sobre nossos respectivos maus hábitos, mas isso não soluciona o problema. Onde vou?

—Acredito que terá que retornar a Seacrest Manor. Não posso pensar em outra alternativa mais adequada. Você pode?

—Mas ali está Penélope!

—Teremos que te esconder. Não há outra opção.

—Oh, Meu deus - murmurou ela. — Isto é um desastre. Um incrível desastre.

—Nisso, estamos completamente de acordo, Demi.

—Os criados estarão a par do engano?

—Acredito que deveriam estar. Eles já lhe conhecem. Menos mal que só há três... meu Deus!

—O que?

—Os criados. Eles não sabem que não têm que lhe mencionar diante de Penélope. Demetria empalideceu.

—Não se mova. Nenhuma polegada. Agora mesmo retorno. Joseph se lançou à carreira, mas mal fez dez metros, sobre a mente de Demetria apareceu outro desastre potencial.

—Joseph! — gritou. — Espera! Fez uma derrapagem para deter-se e deu a volta. —Não pode ir pela porta principal. Se Penélope te vir, se perguntará como conseguiste me acompanhar a minha casa tão rapidamente. Ele amaldiçoou baixinho.

—Terei que usar a entrada lateral. Percebo que está familiarizada com ela. Demetria lhe lançou um olhar de desgosto. Sabia muito bem que ela usou essa entrada para fazer sua anterior escapada.

—Poderia vir também comigo agora — disse Joseph. — Passaremos furtivamente até acima pela lateral e já resolveremos que fazer contigo mais tarde.

—Em outras palavras, quer me dizer que espere em seu quarto de banho indefinidamente? Ele sorriu maliciosamente.

—Nada mais longe de meus planos, mas agora que o menciona, sim, é uma ideia excelente. Nesse momento, Demetria decidiu que tinha uma boca muito grande. Felizmente, antes que pudesse facilitar qualquer outra má ideia, Joseph agarrou sua mão e saiu correndo, virtualmente arrastando-a atrás dele. Rodearam os limites da propriedade até ficarem escondidos entre as árvores que ficavam em frente da porta lateral. —Vamos ter que fazer uma corrida através da clareira em direção a porta— disse Joseph.

—Que probabilidades acredita que tem que ela esteja neste lado da casa?

—Muito poucas. Deixamo-la na saleta da parte dianteira, se não estiver, provavelmente tenha subido e procurado seu quarto. Demetria ficou boquiaberta.

—E se encontrar o meu? Minha roupa está ali. Só tenho três vestidos, mas evidentemente não pertencem a ti. Joseph voltou a amaldiçoar. Ela ergueu suas sobrancelhas. —Sabe? Começo a achar suas maldições mais bem reconfortantes; se não amaldiçoasse, a vida pareceria quase antinatural.

—É uma mulher rara — Joseph puxou sua mão, e antes que Demetria se desse conta do que estava acontecendo, ia rápida cruzando a relva, repetindo com sua mente uma fileira de orações para que Penélope não os visse. Nunca foi particularmente de uma crença religiosa, mas este parecia um bom momento para desenvolver um caráter piedoso.

—Eles barram ao outro lado da porta lateral, teremos que nos empoleirar com muito esforço, já que os colocaram sobre as escadas.

—Você — disse Joseph. — Sobe ao quarto de banho. Eu encontrarei aos criados. Demetria afirmou com a cabeça e se lançou violentamente a subir as escadas, escondendo-se silenciosamente dentro de seu quarto de banho. Olhou a seu redor com uma boa dose de desgosto. Só Deus sabia quanto tempo ia estar encerrada.

—Bem — disse em voz alta. — Poderia ser pior. Três horas mais tarde Demetria descobriu que o único modo de evitar o aborrecimento no banheiro, era entreter-se fazendo uma lista de todas as situações que poderiam ser o pior que lhe tivesse acontecido. Não era fácil. Descartou imediatamente todo tipo de cenários fantásticos, como ser pisoteada por uma vaca de duas cabeças, e em troca, se concentrou em possibilidades mais realistas. —Ele poderia ter um quarto de banho pequeno — dizia a seu reflexo no espelho. — Ou poderia estar muito sujo. O... O... O... O... ou ele poderia esquecer-se de me alimentar —seus lábios se torceram em uma linha de irritação. O maldito homem se esqueceu de lhe dar de comer! —O quarto poderia não ter janelas — tentou, jogando uma olhada para a abertura. Fez caretas. Terei que ter um extraordinário caráter otimista, para chamar janela a esse pedacinho de vidro. —Poderia ter um ouriço como mascote — disse — que mantivesse na bacia.

—Não é provável — chegou-lhe a voz de um homem.

— Mas é possível. Demetria ergueu o olhar para ver o Joseph na porta.

—Onde estiveste? — sibilou. — Estou faminta. Entregou-lhe um pão-doce.

—É muito amável — murmurou escondendo-lhe se isso era seu prato principal ou simplesmente um aperitivo. —Ficará satisfeita, te tranquilize. Acreditei que Perriwick ia ter palpitações quando ouviu onde estava escondida. Imagino que ele e à senhora Mickle estão preparando um banquete enquanto nós falamos.

—Sinceramente, Perriwick é um homem mais agradável que você. Ele deu de ombros.

—Sem dúvida.

—Conseguiu interceptar a todos os criados, antes que eles falassem de mim a Penélope?

—Sim. Estamos a salvo, não tenha medo. E tenho suas coisas. Troquei-as a meu quarto.

—Eu não estou em seu quarto! — disse ela, muito zangada.

—Nunca disse que estava. Naturalmente, é livre para permanecer aqui no quarto de banho. Encontrarei algumas mantas e um travesseiro para ti. Com um pouco de criatividade, podemos fazer este lugar bastante confortável. Seus olhos se entrecerraram perigosamente.

—Você está desfrutando com isto, verdade?

—Só um pouco, asseguro-lhe.

—Perguntou Penélope por mim?

—Efetivamente. Já te tem escrito uma carta te pedindo um encontro para amanhã pela tarde - colocou a mão em seu bolso, tirou um pequeno envelope e o deu.

—Bom, isto sim que é um presente— resmungou Demetria.

—Se eu fosse você, não me queixaria. Ao menos isto significa que pode sair do quarto de banho. Demetria o olhou fixamente, verdadeiramente incomodada com seu sorriso, ficou de pé e colocou as mãos em seus quadris.

—Caramba, estamos procurando guerra esta tarde, verdade?

—Não seja condescendente comigo.

—É que isto é tão engraçado. Jogou-lhe violentamente o urinol.

—Pode usar isto em seu próprio quarto. Joseph se esquivou e riu, quando o urinol se fez em pedaços ao se chocar contra a parede.

—Bom, suponho que posso estar agradecido de que não estivesse cheio.

—Se estivesse cheio — sibilou ela— teria apontado para sua cabeça.

—Demi, esta situação não é por minha culpa.

—Sei, mas eu não tenho que me alegrar por isso.

—Agora, está sendo pouco razoável.

—Dá-me igual — atirou uma barra de sabão, ficou grudada na parede. —Tenho todo o direito a ser irracional.

—Oh? — Esquivou-se de sua lâmina de barbear que voava pelo ar. Ela o olhou com raiva.

—Para sua informação, a semana passada, fui, Oh, me deixe ver, quase violada, raptada, atada ao pé de uma cama, forçada a tossir até ficar sem voz.

—Isso foi por sua culpa.

—Por não mencionar o fato de que embarquei em um ato criminoso ao irromper em meu anterior lar, a ponto de ser apanhada por meu detestável tutor.

—Não esqueça seu tornozelo torcido — acrescentou ele.

—OoooOhhhh! Poderia te matar — outra barra de sabão voou para sua cabeça roçando sua orelha.

—Senhora, certamente está fazendo boas tentativas.

—E agora! — gritou ela. — E agora, como se tudo isso não fosse o suficientemente indigno, vejo-me obrigada a viver durante uma semana em um quarto de banho asqueroso. Visto assim,  Joseph que a situação era condenadamente engraçada. Mordeu seu lábio, tentando controlar sua risada. Não teve êxito. —Não ria de mim! — soluçou ela.

—Joseph? Ficou absolutamente sério em menos de um segundo. —É Penélope! — sussurrou. —Joe? O que são todos esses gritos?

—Rápido! — sibilou ele, empurrando-a pelas costas até o vão da escada. —Te esconda! Demetria se afastou a toda pressa, e ao mesmo tempo, Penélope abria a porta do quarto de banho, enquanto ela fechava a do vão das escadas.

—Joe? — perguntou Penélope pela terceira vez. — O que é todo este alvoroço?

—Não é nada, Penny, eu...

—O que aconteceu aqui? — sibilou ela. Joseph olhou ao redor e tragou saliva. Esquecera a desordem que havia pelo chão. Pedaços do urinol, sua lâmina de barbear, uma toalha ou duas...

—Eu, er... — pareceu-lhe que era mais fácil mentir para a segurança nacional que para sua irmã mais velha. 

—É isso uma barra de sabão grudada na parede? — perguntou Penélope.

—Um... sim, parece que é isso. Ela apontou para o chão.

—E é isto outra barra de sabão?

—Er... sim, devo estar bastante torpe esta manhã.

—Joe, há algo que me esteja ocultando?

—Há umas quantas coisas que te oculto — disse com absoluta honestidade, tentando não pensar em Demetria sentada no vão da escada, provavelmente rindo ao escutá-lo evitar sua difícil situação.

—O que é isto que há no chão? — Penélope se agachou e recolheu algo branco.

—Vá! É a nota que escrevi à senhorita Dent! O que faz aqui?

—Não tive oportunidade de enviar-lhe ainda, "graças a Deus, Demetria esqueceu de abri-la".

—Pelo amor de Deus! Não a deixe no chão — entrecerrou seus olhos e levantou a vista para olhá-lo. —Já vejo. Joe te passa algo?

—Em realidade, não — respondeu, aproveitando a oportunidade que lhe oferecia. — Estive um pouco enjoado há mais ou menos uma hora. Assim é como derrubei o urinol. Ela tocou sua fronte.

— Não tem febre.

—Estou seguro que não é nada que não se cure com uma boa noite de sono.

—Suponho — Penélope franziu os lábios. — Mas se amanhã não se sentir melhor, vou chamar ao doutor.

—Estupendo.

—Possivelmente deveria te deitar agora mesmo.

—Sim—disse ele — virtualmente empurrando-a para fora do quarto de banho. — Essa é uma excelente ideia.

—De acordo, então. Voltarei depois para colocar compressas. Joseph deixou sair um enorme suspiro, ao mesmo tempo que fechava a porta do quarto de banho atrás dele. Certamente não era feliz pelo último giro dos acontecimentos. A última coisa que ele queria era que sua irmã mais velha estivesse continuamente se queixando. Mas sem dúvida, era preferível isso que descobrir a Demetria em meio aos pedaços do urinol e as barras de sabão.

—Senhor Ravenscroft? Ele levantou a vista. Perriwick permanecia de pé na porta, levando uma bandeja de prata carregada com um verdadeiro banquete. Joseph começou negar com a cabeça freneticamente, mas era muito tarde, Penélope já estava de volta.

—Oh, Perriwick — disse ela.

— O que é isto?

—Comida — revelou-lhe totalmente confuso com sua presença. Jogou uma olhada a seu redor. Joseph franziu o cenho. O condenado mordomo estava obviamente procurando Demetria; Perriwick podia ter sido discreto, mas era absolutamente torpe quando se tratava de dissimular. Penélope olhou a seu irmão com olhos interrogantes:

—Tem fome?

—Er... Sim, pensei em fazer um lanche. Ela levantou a tampa de uma das terrinas, deixando ver uma porção de carne assada muito grande.

—Isto é mais que um bocado. Os lábios do Perriwick se estiraram em um débil sorriso meloso.

—Pensamos lhe dar algo substancial agora, já que pediu uma refeição ligeira para jantar.

—Que considerado — resmungou Joseph, teria apostado seus dentes dianteiros a que essa carne era a que em princípio foram preparar para jantar. Provavelmente Perriwick e a senhora Mickle teriam acordado enviar a comida melhor a Demetria, e dar papa de aveia aos "reais" ocupantes de Seacrest Manor. O mais seguro é que eles não mantiveram em segredo sua desaprovação quando Joseph lhes informou do novo domicílio de Demetria. Perriwick se voltou para Penélope enquanto deixava a bandeja sobre a mesa.

—Se me permitir, senhorita.

—Perriwick! —- rugiu Joseph. — Se ouvir a frase "se me permitir" uma vez mais, tão certo como Deus existe, vou jogar-te no Canal.

—Oh, vá — disse Penélope. — Possivelmente tenha febre, depois de tudo. Perriwick, você o que acredita? O mordomo se dirigiu à fronte do Joseph, quando sua mão esteve a ponto de ser mordida.

—Me toque e morrerá— grunhiu Joseph.

—Um pouquinho resmungão esta tarde, né? — disse Perriwick com um sorriso zombador.

—Estava estupendamente bem até que chegaste. Penélope disse ao mordomo.

—Está agindo de maneira muito estranha toda a tarde. Perriwick afirmou com um movimento régio da cabeça.

—Possivelmente deveríamos deixá-lo descansar um pouco, poderia ser o que necessita.

—Muito bem— Penélope seguiu ao criado até a porta. — Deixaremo-lhe só, mas se me inteiro de que não tiraste uma sesta, vou zangar-me muito contigo.

—Sim, sim — disse Joseph apressadamente, tentando encaminhá-los para fora do quarto. — Prometo que descansarei, não me incomodem, tenho o sono muito leve. Perriwick deixou escapar um forte bufo que não guardava de maneira nenhuma relação com seu habitual semblante solene. Joseph fechou a porta atrás deles e se apoiou contra a parede dando um enorme suspiro. —Bom Deus— disse-se para si. — A este passo me converterei em um velho retardado antes de cumprir os trinta.

—Hmmmm — ouviu-se uma voz do quarto de banho. — Diria que já vai por bom caminho. Levantou a vista para ver Demetria na porta com um fastidioso e enorme sorriso em seu rosto.

—O que quer? — disse zangado.

—Oh, nada — disse ela ingenuamente.

— Só queria te dizer que o fez estupendo. Ele entrecerrou os olhos de forma suspeita.

—O que quer dizer?

—Vamos dizer que descobri o humor em nossa situação. Grunhiu e deu um passo ameaçador adiante. Mas ela não parecia acovardada. —Em realidade, não recordo a última vez que ri tanto — disse ela, agarrando a bandeja de comida.

—Demi, você aprecia seu pescoço?

—Sim, tenho-lhe carinho, Por quê?

—Porque se não fechar o bico, vou te estrangular. Ela voltou rapidamente para o quarto de banho.

—Você ganha — e fechou a porta, deixando-o soltando fumaça em seu quarto. E se por acaso isto não fosse suficientemente mau, o seguinte som que ele ouviu foi um forte estalo. A maldita mulher lhe fechou a porta. Levou toda a comida e lhe fechou a porta.

—Pagará por isso! — gritou-lhe à porta.

—Te cale — chegou-lhe uma resposta amortecida. — Estou comendo.



CONTINUA...

Mais um capítulo para vocês. Até a próxima :)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Capítulo 14

nic-tate (verbo). Pestanejar (piscar). Dei-me conta que as situações nas que me ponho nervosa frequentemente me causam pestanejos (nictate) ou gagueira. Do dicionário pessoal de Demetria Trent. 

Uma hora mais tarde Demetria sentiu que se refrescou bastante, ao menos no sentido físico. O ar salgado e vivificante possuía assombrosas propriedades reconstituintes para os pulmões; desgraçadamente, não era tão eficaz para o coração e a cabeça. Amava ela ao Joseph Ravenscroft? Naturalmente esperava que assim fosse. Gostaria de acreditar que não se teria comportado de maneira tão injustificável por um homem por quem ela não sentia um afeto profundo e duradouro. Sorriu ironicamente, o que devia considerar era se Joseph a amava . Acreditava que sim, ao menos um pouquinho. Sua preocupação por seu bem-estar a noite anterior foi evidente; e quando a beijou... Bom, ela não sabia muito de beijos, mas pôde perceber um apetite nele, e instintivamente soube que esse apetite estava reservado exclusivamente para ela. E podia lhe fazer rir, isso contava para algo. Então, quando começava a fazer racional sua situação, ouviu um golpe tremendo, seguido pelo som de madeira estilhaçada, e por um chiado decididamente feminino. As sobrancelhas de Demetria se ergueram. O que acontecera? Queria averiguá-lo, mas supunha que sua presença aqui em Bournemouth não devesse chegar a conhecer-se. Não era provável que um dos amigos do Oliver passasse por esta estrada tão pouco usada, mas se a reconhecessem, seria um desastre. Apesar disso, alguém poderia ter problemas...

A curiosidade ganhou da prudência, e saiu correndo para o som do golpe, reduzindo sua velocidade e parando no caso de mudar de opinião e decidia esconder-se. Ocultando-se atrás de uma árvore, olhou o que acontecia na estrada. Uma magnífica carruagem se encontrava recostada totalmente no barro, com uma roda totalmente feito em pedaços. Três homens e duas damas estavam em círculo, nenhum parecia estar ferido, assim Demetria decidiu permanecer atrás da árvore até que pudesse avaliar a situação. Rapidamente o cenário chegou a ser um enigma fascinante. Quem eram essas pessoas e o que aconteceu? Demi resolveu com rapidez quem estava no comando (era a mais bem vestida das duas damas). Era absolutamente adorável, com negros cachos que saíam derramando-se sob seu chapéu, e dava ordens de uma maneira que revelava que esteve tratando com criados durante toda sua vida. Demetria julgou que sua idade rondaria os trinta, possivelmente algo mais. A outra mulher que provavelmente seria sua donzela, e os cavalheiros (Demetria especulou que alguém seria o condutor e os outros dois seriam escoltas. Os três homens estavam vestidos com librés azul escuro combinando. Quem quer que fossem essas pessoas, vinham de uma casa extremamente enriquecida. Depois de discutir durante uns minutos, a dama que estava a cargo de tudo, enviou ao condutor e a um dos escolta para o norte, provavelmente para ir procurar ajuda; olhou ao baú que caíra da carruagem e disse:

—Poderíamos usá-los como assento — e os três viajantes que ficaram, sentaram-se, ruidosamente para esperar. Depois de alguns minutos sentados e sem fazer nada, a dama se voltou para sua donzela e disse; —Suponho que meu bordado não estará empacotado em algum lugar acessível? A donzela sacudiu negativamente a cabeça.

—Está na metade do baú maior, senhora.

—Ah, esse seria o que milagrosamente ainda está preso no alto da carruagem.

—Sim, senhora. A dama deixou sair um longo suspiro.

—Suponho que deveríamos estar agradecidos de que não faça muito calor.

—Ou que chova — adicionou o escolta.

—Ou que neve — disse a donzela. A dama lhe lançou um olhar de contrariedade.

—Em realidade, Sally, isso é bastante difícil nesta época do ano. A donzela deu de ombros.

 —Coisas mais estranhas acontecem. Depois de tudo, quem teria pensado que perderíamos uma roda pelo caminho; e isso sendo a carruagem mais cara que se possa comprar.

Demetria sorriu e se afastou pouco a pouco, evidentemente essas pessoas estavam ilesas, e o resto dos viajantes voltariam logo com ajuda. Melhor manter sua presença em segredo. Quanto menos pessoas soubessem que estava aqui em Bournemouth, melhor, depois de tudo, e se essa dama fosse amiga de Oliver? Provavelmente não o seria, é obvio, a garota parecia ter senso de humor e tato, o que imediatamente eliminaria ao Oliver de seu círculo de amizades. Ainda assim, devia ser muito cuidadosa. Ironicamente, isso era o que Demi sempre dizia a si mesma (nunca se era muito cuidadoso) quando deu um passo em falso e foi pisar em um graveto seco que rompeu pela metade com um rangido extremamente sonoro.

—Quem está aí? — perguntou com rapidez a senhorita. Demetria ficou gelada. —Saia imediatamente. Poderia correr ela mais que o escolta? Improvável. O homem se dirigia já resolutamente em sua direção, com a mão sobre um vulto de sua calça e Demetria teve a estranha suspeita de que se tratava de uma arma.

—Só sou eu — disse com rapidez saindo ao espaço aberto. A dama ergueu sua cabeça, e entrecerrou seus olhos cinzas ligeiramente.

 —Bom dia, eu, quem é você?

—Quem é você? — disse Demi em contraposição.

—Eu perguntei primeiro.

—Ah, mas eu estou sozinha, e você está a salvo entre seus companheiros de viagem. portanto, por simples cortesia estimaria que se desse a conhecer você antes. A mulher jogou para trás sua cabeça com admiração e surpresa.

—Minha querida jovem, está dizendo a maior das tolices, sei tudo o que teria que saber sobre simples cortesia, temo que você não poderia dizer o mesmo. —Por não mencionar — continuou a dama — que de nós duas, eu sou a única acompanhada por um criado armado, assim você deveria ser primeira em revelar sua identidade.

—Tem razão— concedeu Demetria, jogando uma olhada à arma com gesto receoso.

—Poucas vezes falo para ouvir minha própria voz. Demetria suspirou.

—Oxalá pudesse dizer o mesmo. Frequentemente falo sem refletir primeiro em minhas palavras, é um horrível costume — mordeu seu lábio dando-se conta de que estava contando seus defeitos a uma total desconhecida. —Como neste momento — acrescentou timidamente. Mas a dama só riu. Era um tipo de risada alegre, amistosa, e isso aliviou a Demi, o suficiente para que dissesse — Meu nome é senhorita... Dent.

—Dent? Não me resulta familiar esse nome. Demetria encolheu os ombros.

—Não é muito comum.

—Já vejo. Eu sou a condessa do Fairwich. Uma condessa? Pelo amor de Deus, parece que um bom número de aristocratas estavam neste pedacinho da Inglaterra ultimamente. Primeiro James, agora esta condessa, e Joseph embora não tivesse título, era o segundo filho do Visconde do Darnsby. Demetria jogou uma olhada ao céu e mentalmente deu as graças a sua mãe, por assegurar-se de que sua filha aprendesse as regras da etiqueta antes de morrer. Com um sorriso e uma reverência disse:

—Encantada de conhecê-la, senhorita Fairwich.

—E eu a você, senhorita Dent. Vive na região? Oh, Deus! Como responder a isso?

—Não muito longe — disse com uma evasiva - só dou longos passeios quando faz bom tempo. E você, também é daqui? Demi mordeu o lábio por um momento. Que pergunta mais tola, se a condessa era realmente da região de Bournemouth, todos deveriam conhecê-la, e Demetria seria imediatamente descoberta como uma impostora. Não obstante, a sorte estava de seu lado, e a condessa disse:

—Fairwich está em Somerset, mas hoje venho de Londres.

—Seriamente? Eu nunca estive em nossa capital. Eu gostaria de ir algum dia. A condessa deu de ombros.

—Aumenta um pouco mais o calor no verão com toda a multidão; não há nada como o fresco ar do mar para fazer que alguém se sinta bem de novo. Demetria lhe sorriu.

—É obvio. Ai! Que pena, se isso pudesse arrumar um coração quebrado... Oh, estúpida, estúpida boca. Porquê dissera isso? Ela queria fazer uma brincadeira, agora a condessa sorria maliciosamente e a olhava dessa maneira tão maternal, como querendo dizer que ia perguntar-lhe algo extremamente pessoal.

—Oh, querida. Tem o coração quebrado?

—Digamos que está um pouco machucado — disse ela, pensando que estava chegando a ser bastante boa na arte de mentir. — Só é um menino que conheço de toda a vida. Nossos pais esperavam que fôssemos casar, mas... — encolheu os ombros deixando à condessa tirar suas próprias conclusões.

—Lástima, é uma garota encantadora, deveria lhe apresentar a meu irmão, vive bastante perto.

—Seu irmão? — sibilou Demi, percebendo de repente as cores que levava a condessa. Cabelo negro. Olhos cinzas. OH, não.

—Sim, é Joseph Ravenscroft de Seacrest Manor. Conhece-o? Demetria virtualmente se asfixiou com a língua, e conseguiu arrumar-lhe para dizer:

—Fomos apresentados.

—Ia visitá-lo neste momento, estamos muito longe de sua casa? Nunca estive nela.

—Não, não, é... é justo ali sobre a colina — apontou em direção a Seacrest Manor, e deixou cair a mão com rapidez quando se deu conta de que estava tremendo. O que ia fazer? Não podia permanecer em Seacrest Manor vivendo com a irmã de Joseph. Oh, maldito homem, podia ir ao inferno! Por que não lhe dissera que sua irmã lhe faria uma visita? A menos que ele não soubesse. Oh, não, Joseph ia ficar furioso. Demetria tragou saliva nervosamente e disse:

 —Não sabia que o senhor Ravenscroft tivesse uma irmã. A condessa agitou sua mão de uma forma que Demetria recordou imediatamente ao Joseph.

—É um miserável, sempre nos ignorando. Nosso irmão mais velho acaba de ter uma filha. Vim a lhe dar a notícia.

—Oh, eu... eu ... eu estou segura de que ele estará encantado.

—Então é a única. Estou totalmente segura de que ficará mais que contrariado. Demetria piscou com fúria, sem compreender a esta mulher em nada.

—Me... me... desculpa-me?

—David e Sarah tiveram uma filha, sua quarta filha, o que significa que Joseph ainda é o segundo na linha para o viscondado.

—Já... vejo — em realidade, ela não entendia mas era tão feliz por não ter gaguejado, que não lhe importou. A condessa suspirou.

—Se Joseph chegar a ser Visconde de Darnsby, o que não é provável absolutamente, teria que casar-se e ter um herdeiro. Se viver neste lugar, estou segura de que sabe que é um solteiro consumado.

—De fato, realmente não o conheço muito bem — Demetria se perguntava se soaria muito decidida de querer convencê-la, assim acrescentou. — Só em... nos atos locais e tudo isso. Já sabe, o baile do condado, etc.

—Seriamente? — perguntou a condessa com aberto interesse. — Meu irmão assistiu ao baile do condado da região? Não imagino. Suponho que o agora vai dizer-me que recentemente a lua caiu sobre o Canal.

—Bom — acrescentou Demetria, tragando saliva dolorosamente. — Só assistiu uma vez. Em... uma pequena aldeia, aqui, perto de Bournemouth, e naturalmente por isso sei quem é. Todos sabem quem é. A condessa guardou silêncio por um momento, e logo disse bruscamente:

—Diz que a casa de meu irmão não está muito longe?

—Oh! não, senhorita. Não lhe levaria mais que um quarto de hora chegar até ali — Demetria olhou o bagageiro. — Teria que deixar as coisas aí atrás, é obvio. A condessa moveu sua mão no ar no que Demi denominava agora a onda Ravenscroft.

—Simplesmente farei que meu irmão envie a um homem para as buscar mais tarde.

—Oh, mas ele... — Demi começou a tossir imprudentemente, tentando ocultar que esteve a ponto de soltar que Joseph só tinha três criados, e deles, só o valete era o suficientemente forte para levantar algo pesado. A condessa a golpeou fortemente nas costas.

—Está totalmente bem, senhorita Dent?

—Só... só traguei um pouco de pó, isso é tudo.

—Soava igual a uma tormenta.

—Sim, bom, de vez em quando sou propensa aos ataques de tosse.

—De verdade?

—Uma vez inclusive fiquei sem voz.

 —Sem voz? Não posso imaginá-lo.

—Ninguém podia — disse Demetria honestamente. — Até que aconteceu.

—Bom, estou segura de que sua garganta deve estar muito machucada. Me acompanhará a casa de meu irmão, uma xícara de chá a deixará como nova. Demi voltou a tossir, esta vez de verdade.

—Não, não, não, não, não, não, não — disse mais rapidamente do que lhe teria gostado. — Não é necessário, eu não gostaria de abusar.

—Oh, mas não estaria abusando; depois de tudo, necessito-a para que nos leve a Seacrest Manor e oferecer uma xícara de chá e algum alimento é o mínimo que posso fazer para recompensar sua amabilidade.

—Em realidade não é necessário — apressou-se a dizer Demetria. — E a direção para Seacrest Manor é bem simples; tudo o que tem que fazer é seguir o...

—Tenho muito mau sentido de orientação — interrompeu a condessa. — A semana passada me perdi em minha própria casa.

—Encontro isso difícil de acreditar, senhorita Fairwich. A condessa encolheu os ombros.

—É um edifício grande, estou casada com o conde há dez anos, e ainda não pisara na ala leste. Demetria tragou com dificuldade e sorriu fracamente, sem ter nem ideia de como responder a isso. —Insisto em que nos acompanhe — disse a condessa, enlaçando seu braço ao redor do de Demetria — e lhe advirto que não vamos discutir; sempre saio ganhando.

—Isso, senhorita Fairwich, não encontro difícil de acreditar absolutamente. A condessa emitiu uma risada vibrante.

—Senhorita Dent, acredito que você e eu vamos nos dar estupendamente. Demi tragou saliva.

—Então pensa permanecer em Bournemouth durante algum tempo?

—Oh, uma semana mais ou menos. Seria tolo fazer todo o percurso até aqui e então nos voltar outra vez.

—Todo o caminho? Não são umas cem milhas? — disse Demetria franzindo o cenho. Não era isso o que Joseph havia dito esta manhã?

—Cem milhas, duzentas milhas, quinhentas milhas... — a condessa fez o gesto da mão dos Ravenscroft - se tiver que empacotar, que diferença há?

—Eu, eu, eu, acredito que não sei — respondeu Demetria, sentindo como se tivesse sido demolida por um ciclone.

—Sally! — gritou a condessa, voltando-se para sua donzela. — A senhorita Dent vai levar-me a casa de meu irmão, por que não fica aqui com o Félix e cuida de nossas bolsas? Enviaremos a alguém por ti em seguida. —A condessa deu um passo em direção a Seacrest Manor, arrastando Demetria virtualmente com ela. —Possivelmente meu irmão se assombre ao ver-me— tagarelava ela. Demi se moveu para diante cambaleando.

—Possivelmente esteja certa. Joseph não estava de bom humor.

Evidentemente perdeu o pouco juízo que alguma vez teve. Não havia outra explicação para levar Demi a seu quarto e quase violá-la a plena luz do dia. E se por acaso isso não fosse suficientemente mau, agora estava dolorido por suas necessidades insatisfeitas, graças a seu intrometido mordomo. Mas o pior (o francamente pior) de tudo era que agora Demi desapareceu de repente. Revistou a casa de cima a baixo, de diante a atrás, e ela não se encontrava em nenhum lugar. Não acreditava que escapou, tinha muito juízo para fazer isso. Provavelmente estaria fora passeando pelo campo, tentando limpar sua cabeça. O que teria sido perfeitamente compreensível e uma tarefa certamente digna de elogio, se não houvesse pôsteres pregados por todo o condado com uma cara tão parecida com a sua. Não era muito parecido, estava seguro (Joseph ainda pensava que o artista deveria havê-la pintado sorrindo); mas mesmo assim, se alguém a encontrasse e a levava até Prewitt... Tragou saliva nervosamente. Não gostou da sensação de vazio que sentiu ao pensar que ela partira. Diabo de mulher! Não tinha tempo para complicações como esta, e certamente não havia capacidade para outra mulher em seu coração. Joseph amaldiçoou entre dentes e colocou a um lado uma parte de cortina transparente examinando o jardim lateral. Demetria deve ter partido através das escadas dos criados, era a única saída para a que teve acesso do quarto de banho. Explorou o terreno totalmente, mas inspecionou esse lado mais frequentemente; por alguma razão acreditava que ela voltaria pelo mesmo lugar pelo qual partiu. Não sabia por que. Parecia do tipo de pessoas que faria isso. Entretanto, não havia nem rastro dela, assim Joseph voltou a amaldiçoar e deixou cair a cortina. Foram batidas bastante estridentes e fortes de homem, o que ouviu na porta principal. Joseph amaldiçoou pela terceira vez, incompreensivelmente irritado por haver-se adiantado equivocadamente ao comportamento dela. Caminhou até a porta com passos largos e rápidos, seu cérebro cheio a transbordar com a bronca que lhe ia dar. Quando tivesse terminado com ela, não se atreveria a fazer esse tipo de façanhas outra vez. Sua mão agarrou a maçaneta e a abriu com força, sua voz era um grunhido zangado quando disse:

—Onde diabos ... Sua aflição aumentou notavelmente. Piscou. Abriu bruscamente sua boca para voltar a fechá-la. —Penélope?



CONTINUA...

Olaaaaaaaaaaaa. Oi gente como vocês estão e como estão indo de feriado? Eu vou bem.
Esse capítulo foi menor e menos interessante mas a chegada da irmã dele abala tudo, ainda mais com as mentiras de Demetria. Será que o James volta? Ele é um dos meus favs. Beijos e até o próximo, se tiver comentários eu posto logo na quarta antes de acabar meu recesso.

LIMITES? PRA QUE?


as da Dems são antigas, mas amo essas fotos e esse cabelo

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Capítulo 13

dith-er (substantivo). Um estado de excitação tremente ou temor; também vacilação, um estado de confusão. Só uma palavra dele me faz tremer (dither), e juro que eu não gosto de nada. Do dicionário pessoal de Demetria Trent.

O maior desejo de Demi era evitar a Joe durante os próximos quinze anos. Mas com a sorte que tinha, à manhã seguinte chocou-se literalmente com ele; desgraçadamente para seu orgulho, este "choque" foi acompanhado com a queda de uma meia dúzia de livros grossos sobre o chão, alguns dos quais golpearam as pernas e pés de Joe ao cair. Ele uivou de dor, e ela só queria gritar de vergonha, mas em lugar disso, começou a falar com incoerência pedindo desculpas e se deixando cair ao tapete para recolher os livros. Ao menos desse modo ele não veria o vívido rubor que tingia suas faces no momento de estatelar-se com ele.

—Acreditei que estava limitando seus esforços a redecorar a biblioteca. Que raios está fazendo com esses livros aqui fora, no corredor?

Ela o olhou diretamente em seus claros olhos cinzas. Merda! Se precisava vê-lo esta manhã, porque precisava ser engatinhando?

—Não estou redecorando — disse ela com voz altiva. — Estou voltando a levar estes livros a meu quarto para ler.

—Seis? — perguntou em dúvida.

—Sou bastante culta.

—Nunca duvidei. Ela franziu seus lábios, querendo lhe dizer que escolhia ler porque poderia permanecer em seu quarto e não teria que vê-lo de novo, mas teve a sensação que isso conduziria a uma longa e interminável discussão, que era quão último ela queria.

—Desejava você algo mais, senhor Ravenscroft? Ela ruborizou, ruborizou verdadeiramente. Ele deixara bastante claro a noite anterior que a desejava. Agitou suas mãos com um movimento expansivo que lhe pareceu incomodamente condescendente.

—Nada — disse ele — nada absolutamente, se quer ler, por favor, sinta-se como em sua casa, leia todos os malditos livros se isso te satisfizer. Pelo menos isso te manterá longe de problemas. Ela conteve outra réplica, mas se fazia cada vez mais difícil manter a boca fechada. Apertou os livros contra os quadris, e perguntou:

—O Marquês já se levantou essa manhã? A expressão de Joseph se obscureceu antes de dizer:

—Se foi.

—Foi?

—Foi, — e então, como se ela não pudesse captar o significado das palavras, acrescentou: — Exatamente, se foi.

—Mas onde iria?

—Imagino que agora iria a qualquer lugar que o afastasse de nossa companhia, mas dá a casualidade de que foi a Londres. Os lábios dela se separaram devido ao assombro.

—Mas isso nos deixa sozinhos.

 —Exatamente sozinhos — assentiu, lhe oferecendo uma folha de papel. — Você gostaria de ler sua nota? Ela assentiu, tomou a nota de suas mãos e leu:

Ravenscroft. Fui a Londres com o propósito de avisar Moreton de nossos planos.  Levo a cópia da pasta do Prewitt. Dou-me conta que isto te deixa só com Demi, mas sinceramente,  isso não é mais inapropriado que o fato de que ela conviva em Seacrest Manor com os dois.  Além de que ambos me estavam deixando louco. Riverdale.

Demetria o olhou com uma expressão precavida. —Você não gosta desta situação. Joe refletiu sobre a declaração dela. Não, não gostava desta situação. Não gostava de tê-la sob seu teto, ao alcance de sua mão. Não gostava de saber que o objeto de seu desejo seria dele se o quisesse. James não esteve muito tempo fazendo guarda, e naturalmente não havia ninguém que a pudesse salvar.

—Estou bem — disse ele.

—É realmente admirável quão bem pode pronunciar inclusive quando fala entre dentes, mas ainda assim, não parece estar bem. Possivelmente deveria te levar a cama. De repente na sala se sentia um calor asfixiante e Joe disse bruscamente :

—Isto não é muito boa ideia, Demetria.

—Sei, sei, os homens são os piores pacientes. Imagina se tivesse que parir bebês? A raça humana se teria extinto. Ele se voltou sobre seus calcanhares.

—Vou ao meu quarto.

—Oh, bem, deveria fazê-lo. Estou segura de que se sentirá muito melhor se descansar um pouco. Joseph não lhe respondeu, partiu a largos passos para a escada. Entretanto, quando chegou ao primeiro degrau, deu-se conta de que ela estava justo detrás dele.

—O que está fazendo aqui? — disse-lhe bruscamente.

—Estou te seguindo ao seu quarto.

—Faz isso por alguma razão em particular?

 —Estou velando por seu bem-estar.

—Pois faça-o em qualquer outro lugar.

—Isso — disse ela firmemente — é totalmente impossível.

—Demetria — arreganhou-lhe os dentes, acreditando que sua mandíbula se partiria em duas em qualquer momento. — Me está tirando totalmente do sério.

—É obvio. Qualquer um em sua situação estaria assim. Sem dúvida padece algum tipo de enfermidade. Ele subiu dois degraus.

—Não estou doente. Ela subiu um.

—É obvio que está, poderia ter febre ou possivelmente a garganta muito mau. Ele girou violentamente.

—Repito: não estou doente.

—Não me faça repetir minha frase também. Parecemos meninos, e se não me permite te ajudar, só conseguirá te pôr mais doente. Joe sentiu como uma pressão subia dentro dele (algo que lhe era impossível de conter).

—Não estou doente. Ela deixou sair um suspiro de frustração.

—Joe, eu... Ele a agarrou por debaixo dos braços e a elevou até que estiveram nariz com nariz, os pés dela penduravam no ar.

—Não estou doente, Demi — disse ele, baixando um pouco o volume — e não tenho febre, e não tenho mal a garganta, e estou tão estupendamente bem, que não precisa preocupar-se por mim. Compreende? Ela afirmou com a cabeça.

—Seria possível que me baixasse?

—Vale — colocou-a no chão com surpreendente gentileza, deu a volta e subiu as escadas. Não obstante, Demetria ia justo atrás dele.

—Acreditei que queria me evitar — disse ele bruscamente, dando a volta e encarando-a quando chegou em cima.

—O fazia, quero dizer, faço. Mas está doente, e...

—Não estou doente! — gritou. Ela não disse nada, e estava bastante claro que não acreditava. Ele pôs as mãos em seus quadris e se inclinou até que seus narizes estiveram escassamente a umas polegadas. —Direi isto lentamente para que até uma intrometida como você me entenda. Vou a meu quarto agora. Não me siga. Não lhe escutou. —Meu Deus, mulher! — exclamou não mais de dois segundos depois, quando ela se chocou com ele virando a esquina. — De que forma se pode conseguir que chegue uma ordem a seu cérebro? É como a peste, você... Oh, Jesus o que passa? O rosto de Demi, que permanecera combatente e determinada em seus esforços por cuidá-lo, chateou-se totalmente.

 —Nada — disse ela fungando.

—Obviamente acontece algo. Seus ombros se elevaram e caíram em um movimento de menosprezo para si mesmo.

—Percy me dizia o mesmo. Ele é idiota, eu sei, mas apesar disso, dói. É só, que eu acreditava... Joseph se sentiu como a pior das bestas.

—O que acreditava, Demi? — perguntou cortesmente. Ela negou com a cabeça e começou a afastar-se. Ele a observou por um momento, tentado de deixá-la partir. Depois de tudo, tinha sido como um espinho cravado em seu flanco (por não mencionar outras partes de sua anatomia) essa manhã. A única maneira em que conseguiria um pouco de paz seria mantê-la fora de sua vista. Mas o lábio inferior dela tremera, e seus olhos lhe parecera que começavam a umedecer-se,
e... —Diabos — murmurou. — Demi volta aqui. Ela não o escutou, assim ele correu pelo corredor, alcançando-a justo quando ela estava chegando às escadas. Com rápidas passadas se colocou entre ela e a escada. —Para, Demetria. Agora. Ele ouviu como ela fungava, e então se voltou.

—O que quer, Joseph? Realmente devo ir. Estou segura de que você pode cuidar de si mesmo. Você disse também, e estou segura de que não me necessita.

—Porquê de repente parece como se fosses chorar? Ela tragou saliva.

—Não vou chorar. Ele cruzou os braços e a olhou como dizendo que não acreditava nem por um momento. —Disse que não passava nada — resmungou.

—Não vou deixar você descer estas escadas até que me diga o que acontece.

—Vale, então irei a meu quarto — deu a volta e deu um passo, mas ele a segurou pela camisa e a atraiu para ele. —Suponho que agora vais dizer que não vais me deixar ir até que lhe diga — grunhiu ela.

—Está te voltando perspicaz com a idade. Ela cruzou seus braços de forma rebelde.

—Oh, pelo amor de Deus. É totalmente ridículo.

—Você disse uma vez que é minha responsabilidade, Demi, e levo a sério minhas responsabilidades.

—O que significa?

—O que significa que se está chorando, desejo pôr fim a isso.

—Não estou chorando — murmurou ela.

—Ia fazê-lo.

—Oh! — exclamou ela, abrindo os braços de exasperação. —Alguém já disse alguma vez que é tão teimoso como... como...

—Como você? — disse-lhe serviçalmente. Seus lábios se fecharam em uma linha firme e ligeiramente arqueada ao mesmo tempo que o apunhalava com o olhar. —Fala, Demi, não te deixarei passar até que o faça.

 —Vale! Quer saber por que mudei bruscamente? Está bem, direi-lhe isso. — Ela tragou saliva, reunindo a coragem que não sentia. — Você se deu conta que me comparou com a peste?

—Oh, pelo amor de... — mordeu o lábio, provavelmente para não amaldiçoar diante dela. Demi pensou mordazmente, que amaldiçoando, ele nunca se deteve antes. —Deve saber — disse ele — que não queria dizer isso literalmente.

—Ainda me dói. Ele a olhou intensamente.

—Admitirei que esse não é o comentário mais agradável que fiz e peço desculpas por isso, mas te conheço o suficiente para saber que só isso não seria o que te fez chorar.

—Não estava chorando—- disse ela automaticamente.

—Quase chorando — corrigiu — e eu gostaria que me contasse a história completa.

—Oh, muito bem. Percy estava acostumado a me chamar pestilência e peste a cada minuto. Era seu insulto favorito.

 —Você o mencionou. Tomarei isso como outro sinal de que falei de forma estúpida. Ela tragou e afastou o olhar.

—Eu nunca dava importância a suas palavras, era Percy depois de tudo, e ele era tonto. Mas então você o disse, e... Joseph fechou os olhos durante um longo segundo, sabendo o que diria depois, e lhe deu autêntico pavor. Um som ligeiramente afogado surgiu da garganta de Demi antes de dizer: —E então acreditei que provavelmente seria certo.

—Demi, eu...

—Porque você não é louco, e sei até melhor do que ninguém, que Percy era.

—Demetria — disse ele firmemente. — Sou tolo, absolutamente tolo e estúpido ao me referir a ti com algo que não seja o maior dos elogios.

—Não precisa mentir para me fazer sentir melhor. Olhou-a com o cenho franzido. Ou melhor dizendo, à parte superior de sua cabeça, desde que ela olhava os pés.

—Você disse que nunca minto. Ela o olhou desconfiada.

—Disse-me que raramente mente.

—Minto quando está em jogo a segurança da Grã-Bretanha, não seus sentimentos.

—Não estou segura de se isso é ou não um insulto.

—De maneira nenhuma é um insulto, Demi. E porque acreditaria que estava mentindo? Ela revirou os olhos para ele.

—Você foi menos que afetuoso comigo ontem à noite.

—Ontem à noite, eu queria te estrangular — admitiu — põe sua vida em perigo sem razão.

—Acreditei que te salvar a vida era uma razão bastante boa — disse-lhe bruscamente.

—Não quero discutir sobre isso neste momento. Aceita minhas desculpas?

—Por quê? Ele ergueu uma sobrancelha.

 —Isto quer dizer que tenho mais de um motivo pelo que devo me desculpar?

—Senhor Ravenscroft, faltam-me números para contar... Ele sorriu abertamente.

—Agora sei que me perdoaste, se está de brincadeira. Desta vez foi ela quem ergueu a sobrancelha, e ele percebeu que ela as arrumou para parecer quase tão arrogante como ele quando o fazia.

—E que te faz pensar que estou de brincadeira? — Mas então ela riu, o que arruinou bastante o efeito.

—Estou perdoado? Ela fez um gesto afirmativo com a cabeça.

—Percy nunca pediu desculpas.

—Percy é claramente um idiota. Ela sorriu então (um sorriso triste e pequeno que quase fundiu seu coração). —Demi — disse, quase sem reconhecer sua própria voz.

 —Sim?

—Oh, diabos — inclinou-se e roçou seus lábios contra os dela com o mais ligeiro e delicado dos beijos. Não era que ele queria beijá-la, ele precisava beijá-la. Necessitava-o da forma que necessitava o ar, e a água, e o sol do entardecer em seu rosto. O beijo foi quase espiritual, o corpo inteiro dele se estremeceu com o leve roçar de seus lábios.

—Oh, Joseph — suspirou, tão aturdida como ele.

—Demetria — murmurou, percorrendo com seus lábios ao longo da esbelta linha de seu pescoço — não sei por quê ... não entendo, mas ...

—Dá-me igual — disse ela, com voz totalmente decidida para alguém que a respiração passava já a ser irregular. Jogou os braços ao redor de seu pescoço e lhe devolveu o beijo com natural desenvoltura. A pressão cálida de seu corpo contra o dele era mais do que Joe podia suportar, levantou-a rapidamente entre seus braços e a levou pelo corredor do piso superior até seu quarto. Deu um chute na porta, que estava fechada, e se jogaram na cama; seu corpo cobriu o dela com uma possessividade como nunca sonhou que poderia voltar a sentir.

—Desejo-te — murmurou — desejo-te agora, de todas as formas — o suave ardor dela o atraía, e seus dedos se dirigiram com urgência para os botões do vestido, passando-os através das casas depressa e com desenvoltura. —Me diga o que quer — sussurrou. Ela só moveu a cabeça em gesto negativo.

—Não sei. Não sei o que quero.

—Sim — disse ele, empurrando o vestido para baixo para deixar descoberto um ombro sedoso. — Você sabe. Nesse instante, os olhos dela voaram para seu rosto.

—Sabe que nunca fiz... Ele pôs meigamente um dedo sobre os lábios dela.

—Sei, mas não importa, vou saber o que te faz sentir bem.

—Joe, eu...

 —Cala — Ele fechou os lábios dela com um ardente beijo e os voltou a abrir com um ligeiro e apaixonado toque de sua língua. — Por exemplo — disse contra sua boca — quer mais disto? Ela ficou quieta um momento, e depois, ele sentiu que seus lábios se moviam acima e abaixo, afirmando.
—Então o terá. — Beijou-a com ferocidade, percebendo o sutil sabor a hortelã que ela exalava. Gemeu baixo, e colocou com indecisão a mão em sua face.

— Você gosta disso? —- perguntou ela tolamente. Ele grunhiu enquanto arrancava a gravata.

—Pode me tocar onde você queira, pode me beijar onde você queira, ardo só em ver-te, pode imaginar o que me faz seu contato? Com doce indecisão, lhe beijou a face perfeitamente barbeada; depois se moveu até sua orelha, e seu pescoço, e Joe acreditou que certamente morreria em seus braços se continuasse sem satisfazer sua paixão. Continuou lhe baixando o vestido descobrindo um pequeno, mas em sua opinião, perfeitamente formado seio. Inclinou sua cabeça para ele, e tomou o mamilo com sua boca, apertando ligeiramente o rosado broto entre seus lábios. Ela gemia debaixo dele, gritando seu nome, e ele soube que ela o desejava. E a ideia o excitou.

—OH Joe!OH Joe! OH Joe! — gemia — pode fazer isso?

—Asseguro-te que posso — disse, afogando uma risada profunda. Ela ofegava enquanto ele chupava com um roçar firme.

—Não, mas está permitido? Sua risada se converteu em uma risada gutural.

—Tudo está permitido, meu amor.

—Sim, mas eu... ooooooooOhhhhhhhhhh. Joe riu abertamente com um ar de satisfação muito masculino, enquanto as palavras dela foram perdendo a coerência. —E agora — disse com um malvado olhar lascivo — posso fazê-lo com o outro. Suas mãos se dedicaram a lhe baixar o vestido para descobrir o outro ombro, mas justo antes de que seu prêmio se deixasse ver, ele ouviu o som mais desagradável. Perriwick.

—Senhor? Senhor? Senhor! — isto acompanhado das batidas mais molestamente insuportável.

 —Joe! — Caroline sufocou um grito.

—Shhh — ele pôs sua mão segurando a boca dela. — Ele se afastará.

—Senhor Ravenscroft! É muito urgente!

—Não acredito que se vá — sussurrou ela, amortecendo as palavras sob a palma da mão.

—Perriwick! — bramou Joseph — estou ocupado. Vá embora! Agora!

—Sim, acredito — disse o mordomo através da porta - é só que estou muito assustado.

—Sabe que estou aqui — sibilou Caroline. Então, repentinamente ela ficou vermelha como uma framboesa. —Oh, Deus santo, sabe que estou aqui. Que farei? Joe blasfemou entre dentes. Demi tinha recuperado com grande esforço o bom senso, e recordou que uma senhorita de sua categoria não faria o tipo de coisas que ela fizera.  E, diabos, isso fez a ele recordar também que não podia aproveitar-se dela enquanto tivesse um pouco de consciência. —Não posso deixar que Perriwick me veja — disse ela desesperadamente.

—Só é o mordomo — replicou Joe, sabendo que não levava razão, mas muito frustrado para preocupar-se.

—Ele é meu amigo, e sua opinião de mim importa.

—A quem?

—A mim, cabeça de vento— ela tentava arrumar sua aparência com tanta pressa que seus dedos escorregavam sobre os botões do vestido.

—Aqui — disse Joe lhe dando um empurrãozinho.

 — Dentro do quarto de banho. Demi se lançou violentamente dentro do diminuto quarto com prontidão, agarrando suas sapatilhas no último momento, mal a porta se fechou atrás dela, ouviu como Joe puxava com força para abrir a porta de seu quarto e dizer, com maus modos: —O que quer, Perriwick?

—Se perdoar meu atrevimento, senhor...

—Perriwick — a voz de Joseph ia ligada a uma dura advertência. Demi temeu pela segurança do mordomo se ele não fosse diretamente ao assunto. A esta velocidade, era provável que Joe o jogasse com um chute diretamente pela janela.

—Bem, senhor. É a senhorita Trent. Não a encontro em nenhum lugar.

—Não estava informado de que a senhorita Trent precisasse te advertir de seu paradeiro a cada momento.

—Não, é obvio que não, senhor Ravenscroft, mas encontrei isto no alto das escadas e... Instintivamente Demi se inclinou aproximando-se à porta, perguntando-se que seria "isto".

—Estou seguro de que caiu — disse Joe. — Os laços caem do cabelo das damas continuamente. A mão dela voou para sua cabeça "quando perdeu o laço? Passou Joe sua mão por seu cabelo quando a estava beijando no corredor?"

—Entendo — respondeu Perriwick — não obstante, estou preocupado, se soubesse onde está, estou seguro de que poderia acalmar meus temores.

—Casualmente — ouviu-se a voz do Joe. — Sei exatamente onde se encontra a senhorita Trent.

Demi ficou boquiaberta, sem dúvida ele não a delataria. Joseph disse. —Decidiu aproveitar o bom tempo, e foi a passear pelo campo.

—Mas acreditei que você disse que sua presença aqui, em Seacrest Manor era um segredo.

—É, mas não há razão para que não possa sair enquanto que não se afaste muito. Há muito poucos veículos circulando por esta estrada, provavelmente ninguém a verá.

—Já vejo. Então, darei uma olhada por fora a ver se a vejo. Possivelmente gostaria de comer algo quando voltar.

—Estou seguro de que isso gostaria mais que qualquer outra coisa.

Demetria apalpou o estômago, estava um pouco faminta, e para ser totalmente sincera, a ideia de um passeio pela praia soava estupendo. Justamente o que necessitava para clarear suas ideias, Deus sabia que precisava clarear. Ela se afastou um passo da porta, e as vozes do Joe e Perriwick se desvaneceram, deu-se conta então de que do outro lado do quarto de banho havia outra porta; provou a maçaneta cuidadosamente, e se surpreendeu agradavelmente ao observar que o outro lado da porta dava ao interior vazio da escada (uma que normalmente era usada pelos criados), olhou por cima do ombro, para Joseph, mesmo que ela não podia vê-lo. Ele disse que ela podia ir passear, inclusive embora tivesse sido parte de uma mentira elaborada e planejada para enganar ao pobre Perriwick. Demi não via nenhuma razão para não seguir adiante e fazer precisamente isso. Em segundos, lançou-se escada abaixo e estava no exterior. Um minuto mais tarde ela estava fora da vista da casa e caminhava a grandes passos ao longo da borda do penhasco do qual se divisava o azul-cinzento do Canal da Mancha. O ar do mar era tonificante, mas não tanto como pensar em que Joe ia estar completamente confuso quando olhasse dentro do quarto de banho e percebesse que ela desaparecera. Que aporrinhação de homem, de toda forma. Não lhe faria mal alguma confusão em sua vida.


CONTINUA...
Oi gente aí está o capítulo 13. Que por sinal foi em quente, não é mesmo? Espero que vocês tenham gostado e que o Joseph se dê conta que ele gosta da Demi, e que pare de achar que está se aproveitando dela.
Uma boa semana pra vocês e até o próximo capítulo. Beijos



ops...

sábado, 27 de janeiro de 2018

Capítulo 12

Pal-li-a-tive (substantivo). O que dá alívio temporário ou superficial. Um beijo, estou descobrindo que é um débil paliativo (palliative) quando  o coração de um está destroçado. Do dicionário pessoal de Demetria Trent.

Joeph segurou firmemente com sua mão a boca de Demetria. Ele sabia como permanecer calado. Levava anos de experiência cultivando a arte de manter-se totalmente silencioso, mas só Deus sabia o que faria Demi. A louca poderia espirrar em qualquer momento, ou dar um soluço, ou ficar nervosa. Ela o olhou com ferocidade por cima de sua mão. Sim, pensou Joe, ela estaria muito nervosa. Ele moveu sua outra mão para o braço mais elevado dela e o segurou com firmeza, resolvido a mantê-la quieta. Ele não se preocupou se por acaso ela teria machucados durante uma semana. Não terei que dizer o que Prewitt faria se encontrasse a sua rebelde pupila escondida detrás de um sofá do salão. Depois de tudo, quando Demi escapou, efetivamente, levou sua fortuna com ela. Prewitt bocejou e ficou em pé, e por um momento o coração de Joseph pulsou rapidamente com esperança, mas o condenado só cruzou à mesa do lado e se serviu outro brandy. Joe olhou Demi. Ela não lhe disse uma vez que Prewitt nunca tomava álcool em excesso? Ela encolheu os ombros, claramente tão perplexa como ele pelo que seu tutor estava fazendo. Prewitt voltou a sentar no sofá com um forte grunhido, e murmurou:

—Maldita garota. Os olhos de Demi aumentaram. Joe a assinalou e gesticulo com a boca:

—Você? Ela elevou os ombros e piscou. Joe fechou os olhos por um momento e tentou compreender a quem se referia Prewitt. Não havia maneira de estar seguro, podia ser Demetria, podia ser Carlotta De Leão.

—Onde diabos pode estar? — disse Prewitt, seguido de um som como de tragar, que devia ser o brandy. Demi destacou a si mesma, e Joe sentiu que sua boca formava a palavra eu? Sob sua mão, embora ele não respondeu; estava muito ocupado concentrando-se em Prewitt, se os bastardos traidores os descobriam agora, a missão estaria arruinada. Bom, não de todo. Joseph estava seguro de que James e ele poderiam deter facilmente a Prewitt essa noite se fosse necessário, mas isso significaria que seus sócios poderiam ficar livres. O melhor seria ser paciente e esperar que passassem as próximas três semanas. Então a equipe de espionagem ficaria definitivamente fechada para sempre. Justo quando Joseph sentiu que seus pés começavam a ficar dormentes, Prewitt deixou cair o copo com força sobre a mesa e saiu a grandes passos da sala. Joe contou até dez, e então tirou a mão da boca de Demi e exalou um suspiro de alívio. Ela suspirou também, mas foi algo mais rápido e seguido de uma pergunta.

—Acredita que estava falando de mim?

—Não tenho nem ideia — disse Joseph honestamente — mas não me surpreenderia se o tivesse feito.

—Acredita que descobrirá ao James? —Ele moveu a cabeça negativamente

— Se o tivesse descoberto, teríamos ouvido algum alvoroço. Embora isso não significa que estejamos a salvo ainda. Pelo que sabemos, Prewitt está dando um passeio tranquilo pelo corredor antes de entrar no salão da ala sul.

—Que fazemos agora?

—Esperaremos.

—Para que? Ele voltou seu rosto bruscamente para ela.

—Perguntas muito.

 —É a única maneira de aprender algo útil.

—Esperaremos — disse Joe com um suspiro impaciente — até que Riverdale nos faça um sinal.

—E se ele esta esperando que nós façamos o sinal?

—Não espera isso.

—Como pode estar seguro?

—Riverdale e eu trabalhamos juntos durante sete anos, conheço seus métodos.

—Em realidade, não vejo como podem estar preparados para esta operação em particular. Ele lançou-lhe um olhar com tal irritação que ela fechou sua boca de repente, mas não antes de lhe revirar os olhos.

Joseph a ignorou durante alguns minutos, o que não foi fácil; o simples som de sua respiração o excitava. Sua reação era completamente inapropriada dadas as circunstâncias, e algo com o que não tinha experiência inclusive com Marabelle. Infelizmente, não parecia haver nada que pudesse fazer para evitá-lo, o que empurrava a seu mau gênio a ser inclusive ainda mais detestável. Então ela se moveu, e seu braço acariciou acidentalmente o quadril dele; e Joseph se negou totalmente a deixar que o pensamento chegasse mais longe. Bruscamente a agarrou pela mão e ficou de pé.

—Vamos. Demi olhou ao redor confusa.

—Recebemos algum tipo de sinal do marquês?

 —Não, mas já estivemos escondidos o tempo suficiente.

 —Mas, acreditei que havia dito...

—Se quer ser parte desta operação — sibilou — precisa aprender a receber ordens. Sem perguntar. Ela elevou as sobrancelhas.

—Estou tão contente de que tenha decidido me deixar participar. Se Joe tivesse podido lhe arrancar a língua nesse momento, o teria feito, ou ao menos o teria tentado.

—Me siga — ordenou-lhe bruscamente.

Demi lhe deu um pequeno beijo e realizou uma pequena marcha nas pontas dos pés atrás dele até a porta. Joe acreditou que merecia uma medalha por não levantá-la pelo pescoço e atirá-la pela janela. Ao menos, ia solicitar algum tipo de bônus por periculosidade ao Ministério de defesa; se não podiam lhe dar dinheiro, teria que ser alguma pequena propriedade em algum lugar que tivesse sido confiscado a um criminoso. Certamente merecia algum pequeno extra por esta missão; Demetria podia ser um encanto para beijá-la, mas para lhe atribuir uma missão era endiabradamente incômoda. Ele chegou até a porta aberta, e lhe fez um gesto para que ela permanecesse atrás dele. Com a mão sobre a arma, apareceu para ver no corredor, descobrindo que estava vazio, e saiu andando com rapidez, Demi lhe seguiu sem que lhe desse instruções verbais, já que ele sabia que lhe seguiria. Nisso certamente não precisava lhe cutucar para que caminhasse de frente ao perigo. Ela era muito impetuosa, muito imprudente. Isso lhe trazia lembranças. Marabelle. Fechou seus olhos com força durante uma fração de segundo, tentando tirar sua falecida prometida de sua mente. Ela poderia viver em seu coração, mas não tinha lugar aqui, esta noite, em Prewitt Hall, não se Joseph queria que saíssem os três vivos. A lembrança de Marabelle, de toda forma, foi rapidamente afastada pelas incessantes cotoveladas de Demetria na parte superior de seu braço.

—O que passa agora? — disse bruscamente.

—Não deveríamos ao menos pegar o papel e as penas? Não é isso pelo que viemos aqui a princípio? Joseph flexionou suas mãos as estirando como uma estrela de mar e disse muito devagar:

—Sim, sim, seria uma boa ideia. Ela cruzou a toda velocidade a sala e recolheu o material enquanto ele amaldiçoava entre dentes. Estava sendo brando, voltando-se débil. Não o fazia graça esquecer algo tão singelo como uma pena e tinta. O que ele queria mais que nada era sair do Ministério de defesa, longe de todo o perigo e a intriga. Queria viver uma vida onde não tivesse que preocupar-se por ver assassinar a seus amigos, onde não precisasse fazer nada, a não ser ler e levantar-se tarde, cuidar de cães de caça e...

—Tenho tudo o que necessitamos — disse Demi ofegante, rompendo o fio de seus pensamentos. Joseph assentiu, e se dirigiram para o vestíbulo. Quando chegaram à porta do salão da parte sul, Joseph golpeou sete vezes na madeira, seus dedos encontraram o ritmo familiar que James e ele tinham praticado fazia anos, quando eram alunos em Eton. A porta se moveu para dentro, só um pouquinho, e Joe a empurrou abrindo-a o suficiente para que Demetria e ele passassem por ela apertados. James tinha as costas contra a parede e seu dedo imóvel sobre o gatilho de sua pistola. Ele respirou aliviado quando viu que só eram Demi e Joe entrando na sala.

—Não reconheceu o toque? — perguntou Joseph. James fez um movimento brusco afirmando com a cabeça.

—Nunca se peca sendo muito cuidadoso.

—É claro que sim! — disse Demi estando de acordo. Todo seu trabalho como espião estava deixando seu estômago bastante débil. Era excitante, seguro, mas nada no que ela desejasse participar regularmente. Ela não tinha nem ideia de como os dois permaneceram tanto tempo sem perder seus nervos completamente. Ela se voltou para o James.

—Oliver veio aqui? James moveu negativamente a cabeça

— Mas o ouvi pelo corredor.

—Ficamos presos durante uns minutos no salão da ala leste — ela se estremeceu — foi assustador. Joe lhe lançou um olhar estranhamente avaliador. —Trouxe o papel, penas e tinta — continuou Demi, pondo o material de escrita sobre a escrivaninha do Oliver. —Copiaremos os documentos agora? Eu gostaria que nos puséssemos em marcha. Em realidade, nunca desejei passar tanto tempo em Prewitt Hall de novo. Havia só três páginas na pasta, assim cada um pegou uma página e tomou nota apressadamente em uma nova folha de papel. Os resultados não foram nada elegantes, com mais de uma mancha de tinta danificando o resultado, mas eram legíveis e isso era tudo o que importava. James devolveu cuidadosamente a pasta à gaveta e voltou a fechar.

—Está a sala em ordem? — perguntou Joseph. James assentiu.

—Arrumei tudo enquanto se foram.

—Excelente. Escapemos. Demi se voltou para o marquês.

—Lembrou-te de pegar uma pasta das mais velhas como prova?

—Estou seguro de que sabe fazer seu trabalho — disse Joseph de maneira cortante, então, voltou-se para James e lhe perguntou.

— Lembrou-te?

—Deus Santo! — disse James com voz desgostada— são pior que um par de bebês. Sim, é obvio que tomei a pasta e se não deixarem de discutir um com o outro, lhes vou encerrar aqui e lhes deixar para Prewitt e seu mordomo franco-atirador. A mandíbula de Demetria caiu ante o ataque de cólera do normalmente agradável marquês. Ela olhou de soslaio ao Joseph e se deu conta de que ele olhava bastante surpreso também, e possivelmente um tanto sobressaltado. James franziu o cenho a ambos antes de posar um intenso olhar sobre Demi e perguntar:

—Como vamos sair daqui?

—Não podemos sair pela janela pelo mesmo motivo que não pudemos entrar por ela. Se Farnsworth ainda está acordado, certamente nos ouviria, mas podemos ir por onde viemos.

—Não suspeitará ninguém amanhã quando a porta não esteja fechada com chave? — perguntou Joe. Demetria negou com a cabeça.

—Sei como fechar a porta para que o ferrolho se feche sozinho. Ninguém saberá nunca.

 —Bom — disse James — escapemos. O trio se moveu silenciosamente pela casa, parando um momento fora do salão da ala sul, de maneira que James pudesse voltar a fechar a porta, e saíram para o pátio do lado. Uns minutos mais tarde se encontravam junto aos cavalos dos homens.

—Meu cavalo está ali sozinho — disse Demi, apontando um pequeno grupo de árvores do outro lado do jardim.

—Suponho que quer dizer meu cavalo — disse Joe em tom brusco — do qual te apropriaste oportunamente. Ela bufou de irritação.

—Peço desculpas por meu uso impreciso do inglês, senhor Ravenscroft, eu... Mas tudo o que ela ia dizer (e Demi ainda não estava segura do que seria) perdeu-se sob o som das maldições de James. Antes que ela ou Joe pudessem dizer nada, ele os chamou aos dois cabeças de vento, idiotas, e algumas coisas mais, que Demi não compreendeu absolutamente. Estava completamente segura, de qualquer forma, que isso era um insulto. E então, antes que algum deles tivesse oportunidade de responder, James montara em seu cavalo, e se afastava para a colina. Demi piscou e se voltou para Joe.

—Está bastante zangado conosco, verdade? A resposta do Joe foi levantá-la pondo-a em cima de seu cavalo e saltou detrás dela. Cavalgaram rodeando a propriedade de Prewitt Hall até alcançar as árvores onde ela havia atado seu cavalo e logo Demi esteve em cima de sua própria cela.

—Me siga — ordenou Joseph e saiu a meio galope. Uma hora mais tarde, Demetria seguia a Joseph atravessando a porta principal de Seacrest Manor. Ela estava cansada e dolorida, e não queria mais que arrastar-se até a cama; mas antes que ela pudesse chegar correndo até as escadas, ele a agarrou pelo cotovelo e a conduziu até o escritório. Ou possivelmente a empurrou, seria um termo mais preciso.

—Isto não pode esperar até amanhã? — perguntou Demi bocejando.

—Não.

—Tenho muito sono. Sem resposta. Demi decidiu tentar uma tática diferente. —O que supõe que aconteceu ao marquês?

—Particularmente não me preocupa.

Ela piscou. Que raro. Ela bocejou outra vez, incapaz de defender-se.

—É sua intenção brigar comigo?— perguntou— porque se é, também poderia te advertir que não me sinto com forças para isso.

—Que não se sente com forças para isso? — disse a gritos. Ela negou com a cabeça e se dirigiu para a porta. Não tentaria dialogar com ele quando estava de semelhante humor.

—Verei-te pela manhã, estou segura de que o que quer que seja que te deixa tão alterado, poderá esperar até então. Joe a agarrou pelo tecido de sua saia e a arrastou de costas até o centro da sala.

—Você não vai a nenhuma parte — resmungou.

—Desculpa.

—Que diabos pensava que estava fazendo esta noite?

—Salvando sua vida? — brincou ela.

—Não se engane.

—Não o fazia. Salvei-lhes a vida. E não recordo de ouvir nenhuma palavra de agradecimento por isso. Ele murmurou algo entre dentes, seguido de:

—Não salvou minha vida, tudo o que fez foi pôr em perigo a tua.

—Não farei objeções à última frase, mas estou segura de que lhes salvei a vida esta noite. Se não tivesse ido a toda pressa a Prewitt Hall para lhes acautelar sobre o Farnsworth e seu chá das dez, certamente lhes teria atirado.

—Isso é discutível, Demetria.

—É obvio que é — respondeu respirando desdenhosamente — salvei suas desgraçadas vidas o Farnsworth nunca teve a oportunidade atirar em vocês. Joe lhe dirigiu um olhar longo e duro.

—Vou dizer isto só uma vez mais, você não armou uma confusão em nosso trabalho para levar a seu antigo tutor à justiça. Demi permaneceu em silêncio. Depois de um momento, Joe perdeu completamente a paciência ante a ausência de uma resposta por parte dela, assim perguntou. —Bom, não tem uma resposta?

 —Tenho, mas você não gostaria.

—Maldição! Demetria — enfureceu-se Joseph — alguma vez pensa em sua própria segurança?

—É obvio que o faço, acredita que gostei de arriscar meu pescoço por ti esta noite? Poderia ter sido assassinada. Ou pior, você podia ter sido assassinado, Oliver podia me ter capturado e obrigado a me casar com Percy. Ela estremeceu. — Meu Deus, provavelmente terei pesadelos da última cena durante semanas.

—Realmente parecia estar desfrutando.

—Bom, pois não. Senti-me doente todo o tempo. Sabendo que estávamos em perigo.

—Se estava tão aterrada, por que não chorou ou atuou como uma mulher normal?

—Uma mulher normal? Senhor, está me ofendendo. Ofende a todo o gênero feminino.

—Deve admitir que a maioria das mulheres teriam necessitado sais aromáticos esta noite. Ela o olhou com ferocidade, seu corpo inteiro se agitou com fúria.

—Devo me desculpar porque eu não me deprimi, nem ri, nem chorei durante toda a operação? Estava assustada, não... estava aterrorizada, mas o que teria passado se não tivesse mantido uma aparência valente? Além disso — Acrescentou, com uma expressão cada vez mais mal-humorada. —Estava tão zangada contigo que a maior parte do tempo esqueci quão assustada estava. Joseph afastou o olhar. Ouvi-la admitir seu medo lhe fez sentir inclusive pior. Se tivesse acontecido algo a ela essa noite, teria sido por sua culpa.

 —Demi — disse em voz baixa — não deixarei que te ponha em perigo, te proíbo.

—Não tem direito a me proibir nada. Um músculo começou a crispar-se em seu pescoço.

—Todo o tempo que esteja vivendo em minha casa.

—Oh, pelo amor de Deus, soa como um de meus tutores.

 —Agora me ofende você. Ela deixou escapar um suspiro frustrado.

 —Não sei como suporta, viver constantemente com tanto perigo, não sei como o suporta sua família, devem preocupar-se terrivelmente por ti.

—Minha família não sabe.

—O que? — sibilou ela.

— Como é possível?

—Nunca disse.

—Isso é detestável — disse ela com grande sentimento. — Realmente detestável. Se eu tivesse uma família nunca os trataria com tanta falta de respeito.

—Não estamos aqui para discutir sobre minha família— corrigiu-a. — Estamos aqui para discutir seu comportamento temerário.

—Nego-me a admitir que meu comportamento foi temerário. Você teria feito exatamente o mesmo se estivesse em minha pele.

—Mas eu não estava em sua pele, como você diz tão delicadamente, e além disso, eu levo quase uma década com esses problemas, você não.

—O que é que quer de mim? Quer que prometa que nunca interferirei outra vez?

—Esse seria um excelente começo. Demi colocou as mãos sobre seus quadris e levantou o queixo.

 —Vale, não o farei, nada me agradaria mais que me manter fora de perigo durante o resto de minha vida, mas se você estiver em perigo e eu puder fazer algo para ajudar, certamente não permanecerei imóvel. Como poderia viver comigo mesma se tivesse sido ferido?

—É a mulher mais cabeçuda que tive a desgraça de conhecer —passou a mão pelo cabelo e murmurou algo baixinho antes de dizer. — Não pode ver que estou tentando te proteger? Demi sentiu como algo quente fazia cócegas em seu interior e as lágrimas apareceram em seus olhos.

—Sim — disse ela. — Mas você não pode ver que eu estou tentando fazer o mesmo?

—Não — essa palavra foi fria, cortante e dura, tão dura, que em realidade Demi deu um passo para trás.

—Por que está sendo tão cruel? — sussurrou ela.

—A última vez que uma mulher pensou me proteger... Sua voz desaparecia, mas Demi não necessitava palavras para compreender a excessiva pena que refletia seu rosto.

—Joe — disse ela docemente. — Não quero discutir por isso.

—Então me prometa algo. — Ela tragou saliva, sabendo que lhe ia pedir algo com o que ela não poderia estar de acordo. —Não se ponha em perigo de novo. Se te acontecesse algo, eu... eu não poderia suportá-lo, Demi. Ela girou afastando-se, seus olhos começavam a chorar e ela não queria que ele visse sua resposta emocional a essa declaração. Havia algo em sua voz que lhe comoveu o coração, algo na forma em que se moveram seus lábios um momento antes que ele falasse, como se estivesse procurando em vão as palavras corretas. Mas então, ele disse: —Não posso deixar que morra outra mulher — e se deu conta que não era por ela, era por ele, e a cansativa culpabilidade que sentia pela morte de sua prometida. Ela não conhecia todos os detalhes que giravam em torno da morte de Marabelle, mas James lhe contara o suficiente para saber que Joe se culpava pela morte dela. Demi sufocou um soluço. Como podia ela competir com uma mulher sem vida? Sem olhá-lo, dirigiu-se debilmente até a porta.

—Vou subir, se tiver algo mais que me dizer, pode fazê-lo pela manhã— mas antes que ela pudesse pousar sua mão sobre a maçaneta, ouviu que lhe dizia.

—Espera. Nada mais que uma palavra e ela foi incapaz de resistir. Deu meia volta. Joe a olhou com grande intensidade, incapaz de desviar o olhar de seu rosto. Ele desejava dizer algo, milhares de palavras cruzavam sua mente, mas não podia criar uma só frase; e então, sem dar-se conta do que estava fazendo, deu um passo para ela, e outro, e outro, e ela se encontrou em seus braços. —Não me volte a dar um susto — murmurou entre seus cabelos. Ela não respondeu, mas sentiu como seu corpo se esquentava e se relaxava contra o dele. Ouviu-a suspirar, foi um som suave, mal audível, mas foi doce e isso lhe dizia que ela o desejava. É possível que não fosse da mesma forma em que ele desejava a ela, diabos, duvidava que fosse possível; mas ainda assim, ela o desejava, disso estava seguro. Seus lábios encontraram os dela, e a devoravam com todo o temor e o desejo que esteve sentindo durante toda a noite. Ela o saboreava tal e como sonhara e a fazia sentir-se no paraíso. E Joseph soube que estava condenado. Nunca poderia possuí-la, nunca a amaria do modo que ela merecia, mas ele era muito egoísta para deixá-la. Neste momento poderia e fingiria que ela era dele, que ele era dela, e que seu coração não estava destroçado. Deixaram-se cair sobre o sofá, Demi se colocou brandamente em cima dele, que sem perda de tempo trocou sua posição com ela. Queria senti-la mover-se embaixo dele, retorcendo-se com o mesmo desejo que lhe estava consumindo. Desejava ver como seus olhos se obscureciam e ardiam de necessidade. Suas mãos deslizaram sigilosamente por debaixo da camisa dela, oprimindo de forma atrevida sua ágil perna, antes de deslizar-se até sua coxa suave. Ela gemeu sob ele, um som delicioso que podia ter sido seu nome, ou podia ter sido só um gemido, mas ao Joe não importou. Tudo o que ele queria era a ela. Toda ela.

—Deus me ajude, Demi — disse ele, quase sem reconhecer o som de sua própria voz — necessito-te, esta noite, agora. Necessito-te. As mãos dele se dirigiram para os botões de sua calça, movendo-se freneticamente para liberar-se deles. De toda forma, precisava sentar-se para tirá-la, foi o tempo suficiente para que ela o olhasse, para vê-lo realmente, e nessa fração de segundo sua nuvem de paixão desapareceu e ela saiu cambaleando do sofá.

—Não — disse boquiaberta. — Eu não gosto disto, não sem... não. Joseph a viu ir-se, odiando-se por equilibrar-se sobre ela como um animal. Mas ela o surpreendeu parando na porta.

—Vá — disse ele com voz rouca. Se ela não fosse da sala nesse instante, sabia que a seguiria, e então não haveria escapatória.

—Estará bem? Ele a olhou fixamente chocado. Quase a desonrara. Teria tomado sua virgindade sem olhar atrás.

—Por que pergunta? Você ficará bem? Ela não ia ficar sem responder, assim afirmou com a cabeça. —Vale, verei-te amanhã. E ela partiu.



CONTINUA...

Estou em choque com esse final de capítulo! mas também estou cansada do Joseph velando a Marabelle. enfim esperam que tenham gostado e me desculpem se passei despercebida pelo nome original do personagem. Beijos e até o próximo.

Jemi fetus mora no meu coração

sábado, 20 de janeiro de 2018

Capítulo 11

pleth-o-ra (substantivo). Muito cheio desde qualquer ponto de vista, superabundância. Blake insiste em que há uma verdadeira superabundância (plethora) de razões para não pôr nada importante no que escrevo, mas não posso acreditar que haja nada  em meu pequeno dicionário que possa ser incriminatório. Do dicionário pessoal de Demetria Trent.  

Um momento Demetria estava engatinhando, e ao seguinte estava tão plana como um crepe, com um grande, pesado e estranhamente quente peso sobre suas costas. Isto, de qualquer forma, era menos desconcertante que a arma que lhe pressionava contra as costelas.

 —Não te mova — grunhiu-lhe uma voz ao ouvido. Uma voz familiar.

—Joe? — grunhiu ela.

—Demi? — Ele pronunciou essa palavra de uma forma tão estúpida como nunca antes a ouviu ela, e acreditou as haver ouvido todas de seus diferentes tutores.

—A mesma — replicou tragando saliva — e em realidade, não posso me mover, de toda forma. É bastante pesado. Ele rodou afastando-a e a perfurou com um olhar que era um terço de incredulidade e dois terços de fúria total. Demi desejou nesse momento que as coisas não fossem assim. Joseph Ravenscroft definitivamente não era um homem com o qual pode cruzar-se.

—Te vou assassinar — chiou ele. Ela tragou saliva.

—Não me vais exortar primeiro? Olhou-a intensamente com uma enorme dose de estupefação.

—Retrato-me - disse querendo abreviar. — Primeiro vou te estrangular, e depois te assassinarei.

—Aqui? — perguntou ela em dúvida, olhando a seu redor. — Não parecerá suspeito meu cadáver pela manhã?

—Que diabos está fazendo aqui? Tinha ordens explícitas de ficar...

 —Sei — sussurrou, pressionando seu dedo contra seus lábios. — Mas recordei algo, e...

—Dá-me igual se recordou completo o segundo evangelho da Bíblia, dissemo-lhe... James pôs uma mão sobre o ombro do Joe e disse:

—Escuta-a até o final, Ravenscroft.

 —É o mordomo — adicionou Demetria rapidamente, antes que Joseph mudasse de ideia e decidisse estrangulá-la depois de tudo. — Farnsworth, esqueci de seu chá, ele tem um costume muito raro, sabe. Toma chá às dez todas as noites, e passa justamente por... — sua voz se foi desvanecendo conforme via um raio de luz mover-se no salão de jantar. Tinha que ser Farnsworth, segurando uma vela enquanto caminhava através do corredor. As portas do salão de jantar se deixavam normalmente abertas, por isso sua vela era bastante luminosa, seria possível ver seu resplendor através da janela. A menos que tivesse ouvido algo e estivesse no salão de jantar investigando... Os três se atiraram no chão com grande presteza. —Tem um ouvido muito afiado — sussurrou Demetria.

—Então fecha a boca — chiou-lhe Joseph como resposta. E ela o fez. A luz trêmula desapareceu por um momento, e reapareceu no salão da ala sul.  — Acreditei que disse que Prewitt mantinha essa sala fechada com chave — sussurrou Joseph.

—Farnsworth tem uma chave — respondeu-lhe ela.

Joe lhe indicou com a mão que se afastasse da janela do salão da ala sul, assim que ela se arrastou até estar perto do salão de jantar. Joe estava logo atrás dela. Ela procurou ao redor ao James, mas ele se foi perto da esquina em direção oposta. Joe apontou o edifício e gesticulou com os lábios.

—Mais perto da parede. Demi seguiu suas instruções até que esteve colada à fria pedra exterior de Prewitt Hall; de um lado, entretanto, seu outro lado estava aprisionado contra o quente corpo do Ravenscroft. Demi ficou sem fôlego. O homem estava deitado sobre ela! Ela teria lhe quebrado os tímpanos, se não fosse porque sabia que precisava manter a voz baixa. Sem mencionar o fato de que estava deitada de barriga para baixo sobre a terra e não desejava comer um bocado de grama.

—Quantos anos tem o mordomo? Ela quase ofegou, sentia a respiração dele quente contra sua face, e podia jurar que sentiu o contato dos lábios dele contra sua orelha.

—Ao, ao menos cinquenta — sussurrou — mas é um atirador formidável.

 —O mordomo?

—Serviu no exército — explicou ela — nas Colônias. Acredito que foi concedida uma medalha de honra.

—Só acontece comigo — murmurou Joe —  suponho que não é tão hábil com um arco e uma flecha.

—Tomara que não, mas eu o vi uma vez atirando a uma árvore uma faca com vinte passos de distância.

—O quê? — Joe conjurou baixo, outra dessas esplêndidas maldições criativas que tanto a impressionavam.

—Estou de brincadeira— disse ela rapidamente. O corpo dele se esticou completamente de fúria.

—Este não é o momento nem o lugar para...

—Sim, já me dei conta — resmungou. James apareceu pela esquina, andando sobre suas mãos e seus joelhos, olhando-os com interesse.

 —Não tinha nem ideia de que estavam se divertindo tanto aqui.

—Não estamos nos divertindo — Joseph e Demetria chiaram ao uníssono. James fez um gesto negativo com sua cabeça com tal solenidade, deixando claro que estava zombando deles.

—Não, obviamente não. — então centrou seu olhar no Joe, que ainda permanecia deitado sobre Demi.

— Voltemos para o trabalho, o mordomo se foi a seu quarto.

—Está seguro?

 —Vi a luz desaparecer do salão, depois se foi pelas escadas.

—Há uma janela no topo da escada — explicou Demi— podem vê-la do lado sul.

—Vale — disse Joe rodando para tirar-se de cima dela e agachando-se. — Voltemos para o trabalho abrindo essas janelas.

—Má ideia — disse Demi. Ambos se voltaram a olhá-la, e na escuridão ela não podia estar segura se suas expressões eram de estar interessados ou desdenhosas. —Farnsworth lhes ouvirá em seu quarto — disse — só são dois pisos e como faz calor, o mais provável é que ele tenha aberto as janelas; se lhe ocorre olhar para fora, o mais seguro é que lhes vejam.

—Poderia nos dizer isto antes que tentássemos entrar pela força? — disse Joe bruscamente—  ainda te posso levar de volta.

Ela respondeu cortante. —Como? Obrigado, Demetria — disse ela sarcasticamente. — É muito considerado de sua parte. Claro, de nada, Joseph, não é nenhum problema te ajudar. Ele não parecia divertido.

—Não temos tempo para brincadeiras, Demi. Nos diga que fazer.

—Podem forçar uma fechadura? Parecia ofendido porque ela inclusive o perguntasse.

—É obvio, Riverdale é o mais rápido, acredito.

—Estupendo. Me sigam. Ele apoiou sua mão fortemente sobre o ombro direito dela.

—Você não vai entrar.

—Suponho que devo permanecer aqui fora sozinha? Onde qualquer um que passe me reconheceria e me levaria para o Oliver? Por não falar de ladrões, bandidos, ...

—Desculpe, Demi— interrompeu-a James. — Mas nós somos os ladrões e bandidos neste pequeno cenário. Demi conteve a risada. Joe estava furioso. James olhou de um lado a outro aos dois com aberto interesse. Finalmente disse: —Ela tem razão, Ravenscroft, não podemos deixá-la só aqui fora. Anda, Demi.

Joe amaldiçoou o que parecia sapos e cobras, mas caminhou penosamente atrás de James e Demi sem comentar nada mais negativo. Ela os levou a uma porta lateral parcialmente oculta por um grande arco inglês. Então se agachou e pôs seu dedo sobre seus lábios, indicando que deviam permanecer quietos. Os dois homens a olharam com confusão e interesse enquanto ela se endireitava e golpeava a porta com seu ombro, ouviram abrir um trinco, e Demi balançando a porta aberta.

—O mordomo não terá ouvido isto? — perguntou James. Ela negou com a cabeça.

—Seu quarto está muito longe. A única pessoa que vive neste lado do corredor é a governanta, e ela é totalmente surda. Eu saio e entro furtivamente desta maneira muitas vezes. Nunca ninguém me pegou.

—Poderia nos ter dito isto antes — disse Joe.

—Não o entendeste bem. Tem que golpear a porta exatamente assim. Levou-me semanas aprender.

—E que fazia escapando furtivamente pelas noites? — reclamou-lhe.

—Isso não é teu assunto.

—Converteu-te em assunto meu quando ficou vivendo em minha casa.

—Vale, eu não me teria mudado, se você não me tivesse raptado !

—Não te teria raptado se você não tivesse estado perambulando pelo campo, sem pensar em sua própria segurança.

—Certamente estava mais segura no campo que o estive em Prewitt Hall, e você bem sabe.

—Você não estaria a salvo nem em um convento — murmurou ele. Demi revirou os olhos.

—Se isso não for o mais ridículo... Oh, não importa, se estiver tão chateado porque eu não te deixei abrir a porta, venha, fecharei de novo e poderá tentá-lo. Ele deu um passo ameaçador adiante.

—Sabe? Se eu te estrangulasse agora mesmo, não haveria nenhum tribunal neste país que não me absolvesse.

 —Se ambos os apaixonados podem deixar de falar-se em tom brusco — cortou James — eu gostaria de investigar o escritório antes que Prewitt volte para casa. Joe olhou enfurecido a Demi como se todo o atraso fosse por sua culpa, o que a levou a chiar.

—Não esqueça que se não fosse por mim...

—Se não fosse por ti — respondeu-lhe — seria um homem muito feliz.

—Estamos perdendo tempo — recordou-lhes James — vocês podem permanecer aqui, se não pararem de discutir, mas eu vou investigar o salão.

—Eu irei na frente — anunciou Demi — posto que sei o caminho.

—Você irá atrás de mim — contradisse-a Joe — e me dirá para onde nos dirigiremos.

—Pelo amor de Deus — soltou James finalmente — mostrando a exasperação em cada fibra de seu corpo. — Eu irei a frente, se os dois fecharem o bico. Demi, me siga e vai guiando. Joe, você protege-a por detrás.

O trio se encaminhou até entrar na casa, assombrosamente sem pronunciar outra palavra salvo as instruções sussurradas por Demi. Logo se encontraram em frente da porta do salão da ala sul. James tirou uma estranha ferramenta plana e a meteu na fechadura.

—Essa coisa na realidade funciona? — sussurrou Demi ao Joe. Ele afirmou com um movimento de cabeça brusco.

—Riverdale é o melhor, ele pode forçar uma fechadura com mais rapidez que qualquer um, olhe, observa, três segundos mais, um, dois... Clique. A porta de repente se abriu.

—Três — disse James com um sorriso ligeiro de satisfação para si mesmo.

—Bem feito — disse Demi. Ele se voltou para lhe sorrir.

—Nunca encontrei uma mulher ou uma fechadura que resista. Joe murmurou algo entre dentes e passou diante deles a largos passos.

—Você — disse voltando-se e apontando para Demi — não toque nada.

—Quer que te diga também o que Oliver não queria que tocasse? — perguntou com um sorriso evidentemente falso.

—Não tenho tempo para jogos, senhorita Trent.

—Oh, nunca me ocorreria te fazer perder tempo. Joe se voltou para James.

—Vou matá-la.

—E eu vou matar-te — respondeu-lhe James aos dois passou por diante deles bruscamente e se dirigiu diretamente para a escrivaninha.

— Joe, você examina as estantes. Demi, você... bom, não sei que deveria fazer mas tenta não gritar com o Joe. Joe sorriu satisfeito.

—Ele gritou comigo primeiro — murmurou Demi, totalmente consciente de que estava comportando-se como uma menina.

 James moveu sua cabeça negativamente e ficou a trabalhar sobre as gavetas fechadas do escritório. Com muito cuidado abriu cada uma das fechaduras, e examinou o conteúdo de cada gaveta, arrumando tudo depois para que Oliver não percebesse que as haviam forçado. Quando passou aproximadamente um minuto, entretanto, Demi se compadeceu dele e lhe disse:

—Deveria te concentrar na última à esquerda. Ele se voltou para olhá-la com interesse. Ela deu de ombros, inclinando a cabeça para o lado. —É aquela com que Oliver sempre foi mais obsessivo. Uma vez quase arranca a cabeça do Farnsworth por polir a fechadura.

—Não podia haver-lhe dito antes que examinasse outras gavetas? — perguntou Joe furiosamente.

 —Tentei — replicou-lhe ela — e você ameaçou me matar. James ignorou a troca de insultos entre os dois e forçou a fechadura da gaveta do fundo do lado esquerdo. A gaveta deslizou de repente, deixando ver um montão de pastas, todas elas etiquetadas com datas.

—O que é isso? — perguntou Joe. James deixou sair um profundo assobio.

—É o bilhete do Prewitt para a forca. Joe e Demi se amontoaram ao redor, impaciente por dar uma olhada. Havia possivelmente umas três dúzias de pastas, cada uma delas cuidadosamente registrada com uma data. James tinha uma delas aberta em cima da escrivaninha e estava examinando seu conteúdo com grande interesse.

—O que tem? — perguntou Demi.

—São documentos das atividades ilegais do Prewitt — respondeu Joe— o imbecil as pôs por escrito.

—Oliver é muito organizado — disse ela — sempre que lhe ocorre qualquer tipo de projeto o põe por escrito para segui-lo à perfeição. James apontou uma frase que começava pelas iniciais CDL.

—Deve ser Carlota — sussurrou — mas de quem serão estas? Os olhos de Demi seguiram seu dedo ao MCD.

—Milhares Dudley — disse ela. Os dois homens voltaram seu rosto para ela.

—Quem? — perguntaram os dois.

—Acredito que é Milhares Dudley, não conheço sua inicial do meio, mas é o único com iniciais MD em quem posso pensar. É um dos companheiros de maior confiança do Oliver. Conhecem-se há anos.
— Joe e James se olharam. —Acho-o detestável — continuou Demi — sempre babando atrás das criadas, e atrás de mim. Sempre consigo estar ausente quando vem. Joe se voltou para o marquês. 

— Há suficiente nesta pasta para deter o Dudley?

—Haveria — respondeu James — se pudéssemos estar seguros de que MCD é realmente Milhares Dudley. Não se pode ir encarcerando as pessoas apoiando-se em suas iniciais.

—Se detiver o Oliver — disse Demi — estou segura de que ele incriminaria ao senhor Dudley, eles são muito bons amigos, mas duvido que a lealdade do Oliver se mantenha firme sob tais circunstâncias. Quando as coisas ficam mal, Oliver não mantém uma verdadeira lealdade com ninguém, exceto com ele mesmo.

—Isso não é um risco, estou preparado para assumi-lo — disse Joe severamente — não descansarei até ver esses dois traidores na prisão ou pendurados, precisamos pegá-los em ação.

—Há algum modo em que possa determinar quando planeja Oliver sua próxima ação de contrabando? — perguntou Demi.

—Não — respondeu James, olhando o montão de pastas — a menos que tenha sido totalmente estúpido. Demi se inclinou para diante.

—O que me diz desta? — perguntou ela, tirando uma pasta quase vazia marcada com 31-714. Joe a arrebatou, olhou o conteúdo.

—Que idiota!

—Em realidade não discutirei contigo sobre a idiotice do Oliver— cortou-lhe Demi — mas devo dizer que estou segura de que não esperava que revistassem seu escritório.

—Ninguém poria esse tipo de informação por escrito — disse Joe.

—Claro, Ravenscroft — disse James arqueando suas sobrancelhas maliciosamente - com um raciocínio como esse, seria um criminoso excelente. Joe estava tão absorto com a pasta, que nem sequer se incomodou em olhar com ferocidade a seu amigo.

—Prewitt está planejando algo grande, a julgar pelas aparências, maior que tudo que tenha feito antes; menciona CDL e MCD e "o resto", também assinala uma grande soma de dinheiro. Demi colocou cuidadosamente a cabeça por cima do braço dele para ver a cifra escrita na pasta.

—Oh, Meu Deus — disse em voz baixa — com esse dinheiro, para que queria minha herança?

—Há quem pensa que nunca tem suficiente — replicou Joe mordazmente. James clareou sua garganta.

—Então, acredito que deveríamos esperar no fim do mês, e atacar quando pudermos pegar a todos; eliminamos a toda a equipe de uma só vez.

—Soa a bom plano — assentiu Demi — embora tenhamos que esperar três semanas. Joe se voltou para ela com uma expressão de fúria.

—Você não participa.

—Ao diabo o que você diga! — respondeu secamente com as mãos sobre seus quadris.

— Se não fosse por mim, nem sequer saberia que está planejando algo para essa quarta-feira — fechou os olhos um momento, meditando.

—Caramba, você acredita que não passou todas essas quartas-feiras jogando cartas? Me pergunto se esteve fazendo contrabando partindo dessa base. Cada quarta-feira e tal. Demi ficou a olhar todas as pastas, revisando as datas, e somando e subtraindo mentalmente sete, a cada uma delas. Olhe! Todas são para o mesmo dia da semana.

—Duvido que faça contrabando todas as quartas-feiras — disse James meio distraído — mas é uma cobertura excelente para quando ele realiza atividades ilegais. Com quem joga ele as cartas?

—Milhares Dudley, o primeiro. Joe moveu sua cabeça afirmativamente.

—É provável que todos os que jogam estejam envolvidos. Quem mais?

—Bernard Leeson. Ele é o médico de nosso povoado.

—Tem sentido — murmurou Joe — odeio as sanguessugas.

—E Francis Badeley — terminou ela — o magistrado.

—Então suponho que não nos dirigiremos a ele para que nos ajude em nossa detenção — disse James.

—Provavelmente se deterá ele mesmo — Joe respondeu  — temos que avisar aos de Londres. James assentiu.

—Moreton quererá alguma evidência antes de desdobrar a seus homens a tão elevada escala. Vamos precisar levar estas pastas.

—Se eu fosse você, não levaria todas — interpôs-se Demi. — Oliver passa nesta sala quase diariamente, estou segura de que dará conta se lhe faltarem pastas.

—Te cai bem isto — respondeu James com uma risada — está segura que não quer um contrato?

 —Ela não está trabalhando para o Ministério de Defesa— grunhiu Joe. Demi teve a sensação que ele diria a gritos essa afirmação se não estivesse rondando pelo estúdio do Oliver.

—Levaremos um par delas— replicou James, ignorando a intromissão de Joe. — Mas não podemos levar esta — levantou a pasta da próxima missão. — Quererão revisá-la um pouco antes.

—Dê a Demi um pedaço de papel — disse Joe falando lenta e pesadamente — estou seguro de que será feliz de anotar a informação. Depois de tudo, tem uma caligrafia maravilhosa.

—Não sei onde tem Oliver papel — respondeu Demi, ignorando seu sarcasmo, quase nunca me permitiu entrar nesta sala. De qualquer modo, sei onde conseguir um pouco, abaixo no vestíbulo, e também pena e tinta.

—Boa ideia — disse James — quanto menos revistarmos aqui, menos mudanças notará Prewitt de que alguém esteve olhando suas coisas. Demi, vá conseguir o papel e a pena.

—De acordo — despediu-se com garbo, e saiu correndo para a porta. Mas Joe se moveu rapidamente.

—Você não vai sozinha — sibilou — devagar.

Demi não diminuiu seu passo absolutamente, não duvidava de que ele a seguiria até o vestíbulo, e até entrar no salão da ala leste, era a sala que precisava usar para receber às senhoritas da vizinhança. Não é que tivessem vindo muitas, mas de toda forma, Demi manteve papel, penas e tinta ali, em caso de que alguém precisasse escrever uma nota ou correspondência. No momento em que ia entrar na sala, ouviu um ruído que vinha da porta principal. Um ruído que soava suspeitosamente como uma chave girando em uma fechadura.  Voltou-se para Joe e sibilou.

—É Oliver! Ele não perdeu tempo falando. Antes que Demi percebesse o que estava acontecendo, empurrou-a dentro do salão da ala leste e a agachou atrás do sofá. Seu coração pulsava tão ruidosamente, que se surpreendeu de não despertar à casa inteira.

—O que acontece a James? — sussurrou ela. Joe pôs seu dedo nos lábios dela. —Saberá o que fazer, agora te cale, está entrando. Demi apertou os dentes para evitar que rangessem de medo, enquanto escutava o som dos sapatos do Oliver sapateando pelo vestíbulo. O que aconteceria se James não o ouvira entrar? E se o tivesse ouvido mas não lhe desse tempo de escapar? E se lhe tivesse dado tempo de escapar mas esquecesse de fechar a porta? Doía-lhe a cabeça com a miríade de possibilidades para um desastre. Mas os calcanhares do Oliver não se dirigiam para o salão da ala leste, dirigiam-se diretamente para ela! Demi sufocou um grito e deu uma cotovelada em Joe nas costelas. Ele não teve nenhuma reação salvo que ainda ficou mais rígido do que já estava. Demi jogou uma olhada por cima de uma mesa próxima. Seus olhos caíram sobre uma garrafa de brandy. Oliver gostava de levar uma taça à cama; se ele não se voltasse enquanto se servia, não os veria, mas se voltasse... Aterrorizada profundamente, tocou o ombro de Joe. Rígido. Ele não se moveu. Com movimentos frenéticos ela golpeava no peito dele e apontava a garrafa de brandy.

—O quê? — gesticulou Joe com os lábios.

—O brandy — respondeu ela na mesma forma, apontando a garrafa furiosamente com movimentos bruscos de seu dedo.

Os olhos do Joe se abriram desmesuradamente, e percorreu com o olhar toda a sala, procurando outro lugar para esconder-se. A luz era débil, por isso era difícil ver. Demi tinha vantagem, de qualquer maneira, ao conhecer a sala como a palma de sua mão. Sacudiu sua cabeça para um lado, em gesto para que Joe a seguisse, e avançou agachada para o outro sofá, agradecendo a seu criador, o momento que Oliver escolheu colocar um tapete. Um piso nu teria ressonado cada um de seus movimentos, e então seguro que estariam perdidos. Nesse momento Oliver entrou na sala e se serviu um brandy. Alguns segundos mais tarde ela ouviu cair com um ruído surdo o copo sobre a mesa, seguido do som de servir-se mais brandy. Demi mordeu o lábio confusa. Era muito raro que Oliver bebesse mais de uma taça antes de ir à cama. Mas Oliver devia ter tido uma noite muito dura, porque sussurrou:

—Deus, que desastre.

E então, para cúmulo, ele deixou cair seu corpo pesadamente diretamente sobre o sofá o qual eles se achavam escondidos, e deixou cair suas pernas sob a mesa. Demi ficou gelada, ou pensou freneticamente que estaria se não fosse por que já estava paralisada pelo medo. Disso não tinha nenhuma dúvida. Foram apanhados.

CONTINUA...

Oi genteeeeeeeeeee. Postei rapidinho dessa vez ne? acho que muitos de vocês não leram o capítulo 8 porque ele muito menos visualizações que o seguinte, deem uma olhada. E o que acharam desse capítulo? Na minha opinião essa implicância do Joe de não quere-la por perto é porque quer proteje-la. Não quer perde-la que nem perdeu a Marabelle, e como não quer demonstrar isso, resolveu ser um cavalo. Um dia ele melhora, prometo a vocês.
Legal pro verão e pro inverno

Um besourão desses